Arquivo para março \24\UTC 2009

24
mar
09

QUERO VOLTAR!!!


Nem sei por onde começar esse post. Mas tudo que sinto hoje, é uma enorme vontade de voltar para Brugges. Arrumar minha malinha, pegar minha filhota pela mão e partir no primeiro voo (assim mesmo…o acento caiu).
A tranquilidade dessa cidade mágica, onde o tempo e o sino do campanário se confundem, onde a névoa cai às 4 da tarde, transformando a cidade num cenário, onde me senti segura, para sair às três da manhã de um pub, percorrer a praça central e dançar e brincar de roda com minha filha. Uma sensação que há muito tempo não sinto aqui no Brasil onde perdemos o direito de ir e vir. O Rio de Janeiro, é guerra e medo. Hoje, acordamos com as aterrorizantes notícias de um combate, em plena Copacabana. A guerra do tráfico, está literalmente nas ruas. E eu, que precisava atravessar este bairro, para pegar um documento, não fui. E agradeço por ter a opção de não ir. As pessoas que moram lá, que precisam trabalhar, não tem essa opção. Precisam enfrentar a guerra. Aqui em Niterói, hoje temos uma operação para prender uma quadrilha que roubava mais de cem carros por mês e sequestrava os motoristas. Ver ou ler os jornais é um ato de coragem, coragem que perdemos de sair de casa.
Quero voltar… Voltar para aquela sensação de poder sair de casa e andar por um parque deserto, sem medo…

Me sinto triste e acuada.

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17
mar
09

SUPER SIMPLE

Não há coincidências. Mas estou em meio a várias. Estou tão empolgada com meu momento “THROW AWAY” que tenho literalmente atraído situações inusitadas. Em meio ao mais absoluto caos, vivo um momento pós-nuclear. Quanto mais mexo e cavuco, mais me impressiono com a minha capacidade (inconsciente e desconhecida) de ter coisas. Coisas com as quais não tenho nenhuma ligação, pois não sou de me apegar a coisas.

Ainda tenho mil fotos, mil situações para contar sobre a minha viagem. Mas realmente preciso escrever sobre mais esse momento de liberação. Criar espaços vazios…
Normalmente sou ansiosa, quero logo ver tudo arrumado, lindo, como uma capa da “CASA CLAUDIA”. Desta vez estou saboreando a liberdade, inclusive de viver um tempo no mais absoluto caos. Hoje, durante um breve intervalo, cercada de papéis rasgados, liguei a televisão e dei de cara com a Oprah mostrando uma reportagem sobre como as famílias americanas estão encarando a crise e como outras famílias descobriram o que tinham acumulado em casa e que poderiam doar. Famílias endividadas, com closets lotados de caixas de sapatos de marca, (uma imagem impressionante) ainda com estiquetas, jeans e jaquetas, e tudo o mais abarrotando um espaço que mal dava para se mexer. Isso sem falar nos quartos de brinquedo onde as crianças mal entram e nos estoques de comida ( tudo bem, eles tem inverno, precisam guardar ” as nozes”). E por traz de tanta coisa, “so much stuff”, todas as famílias foram unânimes em aceitar o desafio de viver uma semana com menos. Menos opções. Sem carro, sem televisão, sem dinheiro e sem tanta coisa. Todas as famílias após essa primeira semana, disseram ter aprendido uma grande lição. Ter muito, não é ser muito. Com menos, as famílias se uniram mais. Sem carro, descobriram o prazer de conversar durante a caminhada ( de dois quarteirões) para a escola. Sem televisão, tiveram que conversar e inventar um momento em família. Sem dinheiro, descobriram que não precisam jogar fora toneladas de resto de comida.
A simplicidade virou moda. Porque simplicidade é melhor do que sandália havaiana.

Outro fato delicioso, é que minha prima querida, minha irmã querida do coração, que já passou por um momento parecido de mudança, ainda conserva algumas coisas das quais precisa se livrar. Coisas grandes, enormes…Que estão entuchadas num guarda-móveis, custando quando pesam…Só que nós mudamos e as coisas não. O clima muda, a vida muda, os objetivos mudam e as coisas são as mesmas. Inanimadas, precisam de nosso empenho para que ganhem novas energias…O mais engraçado é que essas coisas enormes vão fazer uma escala aqui em casa para enfim, serem doadas ou vendidas junto com as minhas. Vai ser muito engraçado, o dia que sair tudo…vão me perguntar se estou me mudando outra vez. E de uma certa forma estou.
Minha mãe e meu pai, eram, cada qual a sua maneira, guardadores profissionais e aficcionados. Cresci, um pouco refém de coisas que eu não entendia porque estavam alí, simplesmente enfeiando o ambiente. Como uma típica libriana, aquilo me deixava doente! E a frase que eu mais escutava era: -Eu sei que eu tenho mas não sei onde está! Essa frase se aplicava a quase tudo. De documentos a livros, de alicate de unha a declaração do imposto de renda.
Transcrevo aqui, um poema que escrevi quando tinha 14 anos, vendo um armário onde meu pai guardava sua vida.

ARMÁRIO ANTIGO

UM CHEIRO PASTOSO EMANA
AO ABRIR-SE A PORTA DAQUELE ARMÁRIO DE ONTEM
BOLAS DE GUDE DOS TEMPOS DE MOLEQUE
VIDRINHOS, POSSÍVELMENTE ÚTEIS UM DIA
QUEM SABE…
FERRAMENTAS, FERROLHOS
FERRRUGENS, FERRAGENS, TAMPINHAS
A PERNA DAQUELA BONECA JÁ MORTA
PARAFUSOS, ROSCAS, ROLHAS
DOCUMENTOS INÚTEIS AGORA
AQUELE VASO QUEBRADO
A TESOURA SEM FIO
UM RIO
DE LEMBRANÇAS, DE AMARGURAS
RADIOGRAFIAS DE DOENÇAS CURADAS
CACOS DILACERADOS QUE FICARAM
DO MUITO TUDO QUE SE FOI
O CAPACETE DA REVOLUÇÃO DE 32 (AINDA ENLAMEADO)
A COLEÇÃO DE MOEAS
OS CALENDÁRIOS DE RETROCESSO
A MÁQUINA QUE JÁ NÃO FOTOGRAFA
A CANETA DO GINÁSIO
FOTOS EMBAÇADAS
O TELEFONE MUDO, TÃO FALANTE OUTRORA
SEGREDOS ENGAVETADOS
SIGNIFICADOS IMPORTANTES
DE MOMENTOS INSIGNIFICANTES
CARTAS SOLITÁRIAS DE UM BARALHO SEM REI
POSSÍVELMENTE ÚTEIS UM DIA
QUEM SABE?

08
mar
09

BELONGINGS


Minha ausência deste blog se deve a dois motivos…

1)A insuportável onda de calor que se instalou no Brasil, o que me deixa completamente prostrada!
2)Uma completa e profunda arrumação da minha casa.

O segundo ítem poderia se tornar assunto de uma longa tese. Por que acumulamos tanta coisa? Por que compramos mais e mais? Por que temos coisas que não usamos e nem mesmo vemos há mais de um ano? Todo final de ano, me faço essa pergunta e me desfaço de muita coisa. Como viajei, não pude fazer minha tradicional THROW AWAY. E foi exatamente, durante a viagem que realizei a total insanidade que é ter muitas coisas que não usamos. Voltei, decidida a implementar no meu dia a dia, a delícia de ter o mínimo necessário. Passei dias absolutamente maravilhosos, apenas com o que cabia na minha malinha. Liberdade!
Estou acostumada a mudanças de casa. Foram mais de vinte. Algumas vezes, saí de uma casa para a outra com um colchonete e poucas peças de roupa. E transbordava de futuro… de possibilidades.
Neste exato momento, estou fazendo uma pequena pausa. Um intervalo em mais uma das minhas grandes ´´throws aways´´. Em meio ao caos total, escrevo para registrar meu espanto. Como euzinha tenho tanta coisa? Energia parada. Tudo que não se vê, não se usa. E tudo que não se usa, é energia parada.
Não sei se vou conseguir ter só uma malinha. Mas que muita gente vai ficar feliz com o que não me serve mais, disso, eu sei. E essa é uma sensação maravilhosa!
No próximo post, volto à viagem. Até porque, viajar é uma filosofia de vida. E viver é a grande viagem.




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