Arquivo para outubro \29\UTC 2009

29
out
09

VOLTANDO AO INÍCIO

Aproveitando o retiro forçado, enquanto ´´my fur baby“ dorme de pepeca para o ar, vou revisitando meus pendrives e revendo fotos das viagens. Como disse no post sobre Nova York, minha vida viajante começou tarde. Depois de minha segunda ida a Manhatan, ainda levei uns bons anos para realizar meu sonho de conhecer Paris. Depois de me separar do terceiro marido, nada melhor do que uma passagem de avião na mão para festejar a liberdade!
Em 2007, depois de  mudar de casa pela décima nona vez, comecei finalmente a planejar minha viagem. Adoro planejar viagens. Atracada a um notebook, foram 6 meses viajandona. Finalmente Paris! Mas como tudo na minha vida tem  uma estória, essa viagem não poderia ficar de fora.
Para começar, pouco dinheiro. Para compensar muita sorte. Mas muita sorte mesmo! Como eu tinha voltado a estudar francês, vivia no MSN e no ICQ tentando contato com franceses ou francesas. Estas últimas nunca me responderam. Mas acabei fazendo amizade com Michel, um viajante inveterado, apaixonado pelo Brasil que insistia em me oferecer um quarto independente na casa dele.Conversamos durante mais de um ano. Foram meses elaborando a idéia. Como euzinha iria ficar na casa de um cara solteiro durante dois meses? Mesmo assim, resolvi arriscar, com um plano B na manga, é lógico!
Em julho, tomei coragem, disse a ele que aceitava e comprei minha passagem para novembro. Minhas mãos suavam quando completei o numero do cartão de crédito! O coração aos pulos, comecei então minhas pesquisas. Resolvi ir também a Amsterdam e a Londres, onde meu filho mora. E-mails intermináveis, para conjuminarmos as datas das férias dele, com as de Carol, comprar todas as passagens, reservar os hotéis (mais em conta, lógico). Marinheira de primeira viagem, economizando ao máximo, fiz tudo por minha conta.
Com a ansiedade característica, fiz alguamas besteiras, que agora me servem de guia em todas as outras viagens que fiz e farei. As besteiras foram basicamente reservar tudo com antecedência e a pior de todas, levar uma mala média. Coisa normal, já que eu ia no inverno, ficaria na casa de um estranho durante 60 dias etc, etc. Quanto às reservas, bem, eu fiz o que pude, já que eu iria me encontrar com meus filhotes e viajar com eles em plena época de Natal. Então, até que deu bem certo.
Nesta época comecei um blog, bilíngue, portugues-frances, já que meus cyber amigos de Paris queriam saber das minhas impressões antes, durante e depois da viagem. Meu notebook pifou na primeira semana em Paris, o que me deixou meio desesperada e obviamente, sem poder postar nada e o tal  blog ficou na saudade.
Durante meses eu acompanhei os jornais franceses e francamente sabia mais do que estava acontecendo em Paris do que na esquina aqui da rua. A data da minha viagem se aproximava e em Paris o caos se instalava. Greve de todas as categorias, passeatas…Nesta época eu falava quase que diariamente com três franceses. Michel, que iria me hospedar, Dominique e Olivier. Todos fisgados no ICQ. Cada um emitia sua opinião sobre o que se passava na França. Uns quatro dias antes de eu embarcar, a greve que poderia ter estragado tudo, aconteceu. Os transportes, todos eles, parados! As negociações estavam acirradas. Mas como sorte não me faltou, Dominique declarou que iria me buscar no aeroporto. Salva! Pelo menos não passaria meu primeiro dia em Paris, no aeroporto. Mas eu tinha lá minhas dúvidas…como um cara que nunca me viu, iria sair de casa em pleno inverno, no primeiro dia de férias, para pegar uma brasuca no aeroporto em plena greve de metro, ônibus e trens? Mas quando saí do saguão, lá estava ele e seu narigão francês, sorrindo para mim. Aprendi que francêses, quando falam eu vou, eles estarão lá.
Fui conduzida, em um carro quentinho, até a casa de Michel que morava no 18 ème, quase ao lado do Estade de France. Não era exatamente o recanto mais lindo de Paris. Liguei para Michel, que ainda estava dormindo, mas desceria em segundos para me receber. Eu estava em Paris!!!!
A visão de Michel foi cômica. A impressão que me deu foi que ele ainda estava com o travesseiro colado na cara. Uma camisa com manchas de chocolate, café etc e um sorriso enorme me receberam. Mas as surpresas não pararam na camisa. Mesmo  sem querer, quando se fala em Paris, a palavra glamour vem à mente. Mas quando Michel me conduziu ao meu quarto, fiquei imaginando como eu faria para fugir dali o mais rápido possível. A casa era um caos completo. Livros por todas as paredes, muitas coisas por sobre os livros, sapatos pela casa, cinzeiros entupidos e a cozinha???!!! Não fosse o treinamento feito durante toda a minha vida com minha mãe geminiana, não teria sobrevivido. Mas da janela do meu quarto, eu via a Torre Eiffel e Sacré Coeur. Melhor visual imporssível. Era Paris, alí, aos meus pés!!!! E o coração aos pulos!

Com esta paisagem, a gente releva uma baguncinha, né?   Além do mais, ele era extremamente gentil.
O apartamento era todo envidraçado, rodeado por 2 varandas. Os vidros não viam um pano, uma aguinha sequer, talvez, desde que a França ganhou a Copa do Mundo. Foi quando mesmo? A varanda, bem, a varanda era mais um quintal e tinha de tudo. A da sala, restos de festas,l atinhas de cerveja, plantas à beira da morte, guimbas de cigarro.  A varanda do meu quarto era mais assustadora e  levei alguns dias para me convencer que não havia ninguém esquartejado dentro daquele saco preto que farfalhava quando o vento era muito forte  (nunca tive coragem de investigar o que era, mesmo depois de 2 meses).
Depois do café animador que Michel me ofereceu, ele me deu a chave do apartamento e saímos para que eu fizesse um reconhecimento dos arredores. Era tudo que eu poderia fazer sem metrô, pois nem táxis estavam rodando. Fui apresentada à Monoprix, uma espécie de Americanas, onde tratei de comprar meias de lã, e protetores labiais. Depois, sentamos num café, onde tomei meu primeiro petit noir. Pronto, parecíamos amigos de longa data. Eu estava exausta! Com a excitação da viagem, não tinha dormido nem na véspera, muito menos no voo. Mas aquelas lufadas de ar gelado num friozinho de 3 graus, me acordaram para o que seria o primeiro dia de um dos melhores momentos viajantes da minha vida.
Já à noitinha, ele me chamou para ver o jornal, que tantas vezes eu tinha visto pela internet. As notícias não eram muito animadoras. A greve continuaria. Meu segundo dia em Paris dependeria de Dominique, pois não haveria metrô. Tout d´un coup ( não mais que de repente), Michel se levanta e me chama para um passeio a pé.   -Você é turista, não pode passar sua primeira noite em casa! Foi então que descobri o significado do verbo andar.  Pela paisagem da janela, dá pra se ter um leve noção da distância da Basílica de Sacré Coeur. Pois fomos andando até lá!!!! Tout doucement!!! Devagarinho! E, subimos as escadarias!!! Neste instante, pensei em silêncio “Não, ele não esquarteja as mulheres e as joga na varanda, ele as mata….andando!!!´´
Ao entrar na Basílica, além de agradecer aquele momento histórico, realizando um sonho, agradeci estar viva! Ainda não sabia o que vinha  pela frente. Se de tarde, a temperatura era de 3 graus, à noite, quanto estaria?
Pois foi com uma garoa fina, que continuamos passeando. Saindo de Sacre Coeur, percorremos Montmartre, praticamente vazio, por  causa da greve dos transportes. Descemos para Picadilly e andamos por mais um 4 a 5 kilômetros.
O que ainda restava de mim, se manifestou e pediu a ele para tomarmos alguma coisa. Où? Aonde? Ele me perguntou. O primeiro pub, de onde se ouvia uma voz cantando, me pareceu perfeito e, foi alí que recuperei alguma força e o vinho me ajudou a anestesiar o que ainda podia se chamar de pernas.
Mais refeita, fomos, a pé, é claro! para casa. Incrédula, eu olhava pela  janela para onde eu tinha ido  e de onde tinha voltado, andaaaaando!
Aquele quarto, aquela caminha me pareceram a suíte mais vip do Ritz! Me joguei na cama, rezando para conseguir me levantar no dia seguinte…Notredame de Paris, orai por mim.


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15
out
09

DE VOLTA ÀS VIAGENS -NY 1-

ESTE BLOG MUDOU DE ENDEREÇO:
Pois é….Cá estou eu no sofá da sala. Na televisão, algo sobre Nova York me lembrou do início das minhas aventuras. Eu sempre quis viajar, mas quando eu era novinha, minha mãe não era lá muito chegada a viagens, e sendo filha única, o mesmo valia para mim. Além de simplesmente não caber no orçamento. Viajar, para o exterior, era impensável. Lembro de uma época em que o dólar era mais de cinco vezes a nossa moeda, que mudou tanto de nome, que nem me lembro mais como se chamava neste momento.
A primeira vez que eu senti que podia me aventurar, foi aos 36 aninhos,  em 96, quando o Real estava bombando, o dólar valendo menos de um real, meus filhotes já grandinhos e meu atelier explodindo de alunas. Uma amiga deu a idéia de irmos para Nova York, que até então, para mim, era em outro planeta. Foram seis meses, viajando na viagem…Isso mesmo, 6 meses esperando e sonhando com um semaninha em Nova York.
Foi nesta viagem que fiquei completamente viciada, nesse frio na barriga, nessa insana excitação que se apossa de mim quando tenho uma viagem pela frente. E também aprendi que viajar “on a budget” pode ser super legal. A gente fica mais criativa, além disso, se permite fazer o que mais gosto: respirar a cidade.
Como tinha feito um roteiro e muita pesquisa antes de ir, sabia direitinho, tudo o que queria ver, mesmo tendo que condensar tudo numa única semana.
Nossa chegada, foi um total êxtase. Fomos pela falecida Soletur, mas na época foi ótimo. Logo no aeroporto, um guia nos abordou e fizemos o translado para nosso hotel, que ficava bem pertinho da Broadway. Ah se tivesse camera digital naquela época!!!!
Largamos as malas e já tinha passeio. Como era a minha primeira vez, e   nessa época eu mal sabia o que era internet, achei ótimo ser um pacote. Tínhamos dias livres mas também tínhamos apoio.
Meu Deus!!! além da minha magreza, as Torres Gêmeas! Coisas que não voltam mais…
Total marienheira de primeira viagem, fiz algumas besteiras.
Numa de nossas primeiras saídas, entramos numa DElli, lojas que vendem de tudo para comer, e lógico, sapequei uma cerveja tamanho gigante. Quando fomos pagar, a moça da caixa ensacou a cerveja, e eu, retirei o saco imediatamente, e para completar, dei  uma golada daquelas bem brasileiras na beira da praia, enquanto pagava. Bem que eu notei uma cara de espanto na mocinha, mas nem tchum. Não satisfeita, fiz poses, caras e bocas, para fotos, heheheh!
E saímos lindas, tomando cerveja em plena 6th avenue!!!! O que a gente não tinha a menor idéia, é que é, ou era, acredito que ainda seja, PROIBIDO, aparecer a bebida. Qualquer tipo de bebida. E euzinha, dando uma de Búzios, me achando! Lógico que apareceu um guardinha, e veio direto em mim. Como assim??? What is the problem??? Não fosse a boa vontade do guarda, eu, 36 anos, mãe de dois filhos, teria sido presa logo no primeiro dia em NY!!! Pode???
Passado o susto, comprei outra cerveja e bebi no saco mesmo. Fazer o quê, no saco pode!
É lógico que num único post não dá para contar essa semana inteira, ainda mais, porque nossa idade mental não passava de 12 anos e meio. Passamos muita coisa engraçada, incluindo um enorme hematoma no meu pé, por causa de um REEBOCK que eu comprei, andei o dia inteiro com ele, e quando chegamos no hotel eu mal conseguia respirar de tanta dor. Era uma bolha tamanho gigante por causa da palmilha super alta no arco do pé. Doia tanto que eu achei que ia melar o resto da viagem. Mas a banheira maravilhosa do hotel e um escalda pé, tipo fervendo deram conta e ainda saí de noite para ver a Bela e a Fera.
Para se ter uma idéia da farra, no primeiro dia, tínhamos combinado de conhecer o Central Park. Pois só chegamos nele, no sábado seguinte.
Manhattan é muito fácil de andar. As avenidas e ruas são numeradas. Num momento viagem, você se acha capaz de andar 99 ruas e cruzar 10 avenidas!!
Então a gente se sentia meio em casa, e nos dávamos o direito de nos perder e achar coisas e lugares…
Nosso guia gatinho, nos garantiu que NY era totalmente segura, até a beira do Harlem. Então, era um grande parque de diversões. Mas tínhamos pressa. Queríamos ver o pontos turísticos obrigatórios.
É muita coisa! E foi também nessa viagem que desenvolvi um certo desespero de museus. Deixa eu explicar… adoro artes, história, e lógico que os museus me deixam completamente alucinada.
Mas o que acontece numa viagem dessas em que se tem pouco tempo, é que entrar num museu é enlouquecedor, é tanta coisa que se quer ver, e eu gosto de tempo para degustar. Lembro meu desespero no Guggenheim, onde eu sabia, havia uma boa coleção dos impressionistas. Eu nunca tinha visto um quadro do VanGogh! Quando chegamos lá, penei para achar os quadros que eu queria ver. Surtei ao encontrar MONTAGNES DE SAINT REMY! A impressão é que ele tinha acabado de pintar, tamanho o vigor das pinceladas. Estava rolando uma esposição de arte africana em todos os andares.
O guggenheim ´de NY é um predio em espiral; começamos a ver a tal exposição…muitas esculturas em madeira, na maioria, homens nus. No segundo andar, virei para minha amiga e disparei: – Chega! Que viu um pirú viu todos, em NY não dá para perder tanto tempo com pirús!!!! É lógico que tinha um brasileiro atrás de mim, que passou mal de rir…E eu saí em disparada rumo à saída.
Empire State
Depois da emoção do Empire State, que na época bombava em filmes românticos, fomos ao Rock Hard Café, onde conhecemos dois brasileiros ( tropeça- se em brasileiros no mundo inteiro!) e com eles fomos ao Village, num bar meio Rock Horror, onde os garçons usavam roupas ensanguentadas e a cerveja era sevidas em tulipas enormes!
Foram 8 dias de total deslumbramento.
Um ponto alto e histórico foi quando subimos os 107 andares de uma das Torres, no observatório; a tarde estava deslumbrante e pude sentir a cidade vibrando lá embaixo.
mal sabia que esta foto jamais poderia ser tirada do mesmo lugar alguns anos depois. As datas nas fotos estão erradas, pois eu comprei uma câmera e nem me toquei de mudar a data.
SoHo
Guggenheim
Fazíamos como os Novayorkinos. Na hora do almoço, compra-se uma refeição numa delli e senta-se em qualquer lugar, normalmente as escadarias em frente aos escritórios.
Chegamos ao Central Park, um dia antes de virmos embora.
Olha a folga da moça!!!
Muito metida, mesmo…
Já faz tempo…11 anos já se passaram desde a última vez que estive na Big Apple, e confesso que os ataques de 11 de setembro me brocharam  a vontade de voltar.
Não vou deixar nenhum guia do que é  imperdível, pois isso tem aos baldes na internet…
Esta semana em Nova York, entrou para a minha caixinha de jóias mental. Voltei a NY três anos depois, me sentindo totalmente local, mas tenho que achar as fotos (tenho uma mala de fotos de papel) e fica para um outro post.



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