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VOLTANDO AO INÍCIO

Aproveitando o retiro forçado, enquanto ´´my fur baby“ dorme de pepeca para o ar, vou revisitando meus pendrives e revendo fotos das viagens. Como disse no post sobre Nova York, minha vida viajante começou tarde. Depois de minha segunda ida a Manhatan, ainda levei uns bons anos para realizar meu sonho de conhecer Paris. Depois de me separar do terceiro marido, nada melhor do que uma passagem de avião na mão para festejar a liberdade!
Em 2007, depois de  mudar de casa pela décima nona vez, comecei finalmente a planejar minha viagem. Adoro planejar viagens. Atracada a um notebook, foram 6 meses viajandona. Finalmente Paris! Mas como tudo na minha vida tem  uma estória, essa viagem não poderia ficar de fora.
Para começar, pouco dinheiro. Para compensar muita sorte. Mas muita sorte mesmo! Como eu tinha voltado a estudar francês, vivia no MSN e no ICQ tentando contato com franceses ou francesas. Estas últimas nunca me responderam. Mas acabei fazendo amizade com Michel, um viajante inveterado, apaixonado pelo Brasil que insistia em me oferecer um quarto independente na casa dele.Conversamos durante mais de um ano. Foram meses elaborando a idéia. Como euzinha iria ficar na casa de um cara solteiro durante dois meses? Mesmo assim, resolvi arriscar, com um plano B na manga, é lógico!
Em julho, tomei coragem, disse a ele que aceitava e comprei minha passagem para novembro. Minhas mãos suavam quando completei o numero do cartão de crédito! O coração aos pulos, comecei então minhas pesquisas. Resolvi ir também a Amsterdam e a Londres, onde meu filho mora. E-mails intermináveis, para conjuminarmos as datas das férias dele, com as de Carol, comprar todas as passagens, reservar os hotéis (mais em conta, lógico). Marinheira de primeira viagem, economizando ao máximo, fiz tudo por minha conta.
Com a ansiedade característica, fiz alguamas besteiras, que agora me servem de guia em todas as outras viagens que fiz e farei. As besteiras foram basicamente reservar tudo com antecedência e a pior de todas, levar uma mala média. Coisa normal, já que eu ia no inverno, ficaria na casa de um estranho durante 60 dias etc, etc. Quanto às reservas, bem, eu fiz o que pude, já que eu iria me encontrar com meus filhotes e viajar com eles em plena época de Natal. Então, até que deu bem certo.
Nesta época comecei um blog, bilíngue, portugues-frances, já que meus cyber amigos de Paris queriam saber das minhas impressões antes, durante e depois da viagem. Meu notebook pifou na primeira semana em Paris, o que me deixou meio desesperada e obviamente, sem poder postar nada e o tal  blog ficou na saudade.
Durante meses eu acompanhei os jornais franceses e francamente sabia mais do que estava acontecendo em Paris do que na esquina aqui da rua. A data da minha viagem se aproximava e em Paris o caos se instalava. Greve de todas as categorias, passeatas…Nesta época eu falava quase que diariamente com três franceses. Michel, que iria me hospedar, Dominique e Olivier. Todos fisgados no ICQ. Cada um emitia sua opinião sobre o que se passava na França. Uns quatro dias antes de eu embarcar, a greve que poderia ter estragado tudo, aconteceu. Os transportes, todos eles, parados! As negociações estavam acirradas. Mas como sorte não me faltou, Dominique declarou que iria me buscar no aeroporto. Salva! Pelo menos não passaria meu primeiro dia em Paris, no aeroporto. Mas eu tinha lá minhas dúvidas…como um cara que nunca me viu, iria sair de casa em pleno inverno, no primeiro dia de férias, para pegar uma brasuca no aeroporto em plena greve de metro, ônibus e trens? Mas quando saí do saguão, lá estava ele e seu narigão francês, sorrindo para mim. Aprendi que francêses, quando falam eu vou, eles estarão lá.
Fui conduzida, em um carro quentinho, até a casa de Michel que morava no 18 ème, quase ao lado do Estade de France. Não era exatamente o recanto mais lindo de Paris. Liguei para Michel, que ainda estava dormindo, mas desceria em segundos para me receber. Eu estava em Paris!!!!
A visão de Michel foi cômica. A impressão que me deu foi que ele ainda estava com o travesseiro colado na cara. Uma camisa com manchas de chocolate, café etc e um sorriso enorme me receberam. Mas as surpresas não pararam na camisa. Mesmo  sem querer, quando se fala em Paris, a palavra glamour vem à mente. Mas quando Michel me conduziu ao meu quarto, fiquei imaginando como eu faria para fugir dali o mais rápido possível. A casa era um caos completo. Livros por todas as paredes, muitas coisas por sobre os livros, sapatos pela casa, cinzeiros entupidos e a cozinha???!!! Não fosse o treinamento feito durante toda a minha vida com minha mãe geminiana, não teria sobrevivido. Mas da janela do meu quarto, eu via a Torre Eiffel e Sacré Coeur. Melhor visual imporssível. Era Paris, alí, aos meus pés!!!! E o coração aos pulos!

Com esta paisagem, a gente releva uma baguncinha, né?   Além do mais, ele era extremamente gentil.
O apartamento era todo envidraçado, rodeado por 2 varandas. Os vidros não viam um pano, uma aguinha sequer, talvez, desde que a França ganhou a Copa do Mundo. Foi quando mesmo? A varanda, bem, a varanda era mais um quintal e tinha de tudo. A da sala, restos de festas,l atinhas de cerveja, plantas à beira da morte, guimbas de cigarro.  A varanda do meu quarto era mais assustadora e  levei alguns dias para me convencer que não havia ninguém esquartejado dentro daquele saco preto que farfalhava quando o vento era muito forte  (nunca tive coragem de investigar o que era, mesmo depois de 2 meses).
Depois do café animador que Michel me ofereceu, ele me deu a chave do apartamento e saímos para que eu fizesse um reconhecimento dos arredores. Era tudo que eu poderia fazer sem metrô, pois nem táxis estavam rodando. Fui apresentada à Monoprix, uma espécie de Americanas, onde tratei de comprar meias de lã, e protetores labiais. Depois, sentamos num café, onde tomei meu primeiro petit noir. Pronto, parecíamos amigos de longa data. Eu estava exausta! Com a excitação da viagem, não tinha dormido nem na véspera, muito menos no voo. Mas aquelas lufadas de ar gelado num friozinho de 3 graus, me acordaram para o que seria o primeiro dia de um dos melhores momentos viajantes da minha vida.
Já à noitinha, ele me chamou para ver o jornal, que tantas vezes eu tinha visto pela internet. As notícias não eram muito animadoras. A greve continuaria. Meu segundo dia em Paris dependeria de Dominique, pois não haveria metrô. Tout d´un coup ( não mais que de repente), Michel se levanta e me chama para um passeio a pé.   -Você é turista, não pode passar sua primeira noite em casa! Foi então que descobri o significado do verbo andar.  Pela paisagem da janela, dá pra se ter um leve noção da distância da Basílica de Sacré Coeur. Pois fomos andando até lá!!!! Tout doucement!!! Devagarinho! E, subimos as escadarias!!! Neste instante, pensei em silêncio “Não, ele não esquarteja as mulheres e as joga na varanda, ele as mata….andando!!!´´
Ao entrar na Basílica, além de agradecer aquele momento histórico, realizando um sonho, agradeci estar viva! Ainda não sabia o que vinha  pela frente. Se de tarde, a temperatura era de 3 graus, à noite, quanto estaria?
Pois foi com uma garoa fina, que continuamos passeando. Saindo de Sacre Coeur, percorremos Montmartre, praticamente vazio, por  causa da greve dos transportes. Descemos para Picadilly e andamos por mais um 4 a 5 kilômetros.
O que ainda restava de mim, se manifestou e pediu a ele para tomarmos alguma coisa. Où? Aonde? Ele me perguntou. O primeiro pub, de onde se ouvia uma voz cantando, me pareceu perfeito e, foi alí que recuperei alguma força e o vinho me ajudou a anestesiar o que ainda podia se chamar de pernas.
Mais refeita, fomos, a pé, é claro! para casa. Incrédula, eu olhava pela  janela para onde eu tinha ido  e de onde tinha voltado, andaaaaando!
Aquele quarto, aquela caminha me pareceram a suíte mais vip do Ritz! Me joguei na cama, rezando para conseguir me levantar no dia seguinte…Notredame de Paris, orai por mim.


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