17
mar
10

Chegando à paris

Fui então conduzida, em um carro quentinho, até a casa de Michel que morava no 18 ème, quase ao lado do Estade de France. Não era exatamente o recanto mais lindo e turístico de Paris. Liguei para Michel, do celular de Dominique. Uma voz pastosa: Alô? Ele  ainda estava dormindo, mas desceria em segundos para me receber. Eu estava em Paris!!!! (e aterrorizada com o primeiro encontro! como seria meu amigo francês?)

A primeira visão de Michel foi cômica. A impressão que me deu foi que ele ainda estava com o travesseiro colado na cara. Uma camisa com manchas de chocolate, café etc e um sorriso enorme me receberam. Mas as surpresas não pararam na camisa. Mesmo  sem querer, quando se fala em Paris, a palavra glamour vem à mente. Mas quando Michel me conduziu ao meu quarto, fiquei imaginando como eu faria para fugir dali o mais rápido possível. A casa era um caos completo. Livros por todas as paredes, muitas coisas por sobre os livros, sapatos pela casa, cinzeiros entupidos e a cozinha???!!!  Era um misto de fim de festa com república de estudantes. Não fosse o treinamento feito durante toda a minha vida com minha mãe geminiana(extremamente bagunceira) e eu  não teria sobrevivido. Mas da janela do meu quarto, eu via a Torre Eiffel e Sacré Coeur. Melhor visual impossível. Era Paris, alí, aos meus pés!!!! E o coração aos pulos!

Com esta paisagem, a gente releva uma baguncinha, né?   Além do mais, ele era extremamente gentil.

O apartamento era todo envidraçado, rodeado por 2 varandas. Os vidros não viam um pano, uma aguinha sequer, talvez, desde que a França ganhou a Copa do Mundo. Foi quando mesmo? A varanda….bem, a varanda era mais um quintal e tinha de tudo. A da sala, restos de festas, latinhas de cerveja, plantas à beira da morte, guimbas de cigarro.  A varanda do meu quarto era mais assustadora e  levei alguns dias para me convencer que não havia ninguém esquartejado dentro daquele saco preto que farfalhava quando o vento era muito forte  (nunca tive coragem de investigar o que era, mesmo depois de 2 meses). Uma panela enorme também fazia parte da decoração. Diga-se de passagem que ela permaneceu intacta até a minha partida para o Brasil.

Depois do café animador que Michel me ofereceu, ele me deu a chave do apartamento e saímos para que eu fizesse um reconhecimento dos arredores. Era tudo que eu poderia fazer sem metrô, pois nem táxis estavam rodando. Fui apresentada à Monoprix, uma espécie de Americanas, onde tratei de comprar meias de lã, e protetores labiais. Depois, sentamos num café, onde tomei meu primeiro petit noir. Pronto, parecíamos amigos de longa data. Eu estava exausta! Com a excitação da viagem, não tinha dormido nem na véspera, muito menos no voo. Mas aquelas lufadas de ar gelado num friozinho de 3 graus, me acordaram para o que seria o primeiro dia de um dos melhores momentos viajantes da minha vida.

Tour Eiffel

Já à noitinha, ele me chamou para ver o jornal, que tantas vezes eu tinha visto pela internet. As notícias não eram muito animadoras. A greve continuaria. Meu segundo dia em Paris dependeria de Dominique, pois não haveria metrô. Tout d´un coup ( não mais que de repente), Michel se levanta e me chama para um passeio a pé.   -Você é turista, não pode passar sua primeira noite em casa! Foi então que descobri o significado do verbo andar.  Pela paisagem da janela, dá pra se ter um leve noção da distância da Basílica de Sacré Coeur. Pois fomos andando até lá!!!! Tout doucement!!! Devagarinho! E, subimos as escadarias!!! Neste instante, pensei em silêncio “Não, ele não esquarteja as mulheres e as joga na varanda, ele as mata….andando!!!´´

Ao entrar na Basílica, além de agradecer aquele momento histórico, realizando um sonho, agradeci estar viva! Ainda não sabia o que vinha  pela frente. Se de tarde, a temperatura era de 3 graus, à noite, quanto estaria?

Pois foi com uma garoa fina, que continuamos passeando. Saindo de Sacre Coeur, percorremos Montmartre, praticamente vazio, por  causa da greve dos transportes. Descemos para Pigalle (0nde fica o Moulin Rouge) e andamos por mais um 4 a 5 kilômetros.

O que ainda restava de mim, se manifestou e pediu a ele para tomarmos alguma coisa. Où? Aonde? Ele me perguntou. O primeiro pub, de onde se ouvia uma voz cantando, me pareceu perfeito e, foi alí que recuperei alguma força e o vinho me ajudou a anestesiar o que ainda podia se chamar de pernas. Depois, Gare du Nord e tome de andar até em casa. Olhando no mapa, “minha casa” era lá perto do Estade de France, quase no fim da cidade intramuros.

Aquele quarto, aquela caminha me pareceram a suíte mais vip do Ritz! Me joguei na cama, rezando para conseguir me levantar no dia seguinte…Notredame de Paris, orai por mim.

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