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Os franceses e as greves

O post de hoje, seria sobre Paris. Mas diante das manchetes dos jornais que acompanho e do Twitter explodindo de mensagens, lembrei da expectativa que eu passei às vésperas da minha primeira viagem à Paris,  em Novembro de 2007, logo depois que Sarcozy assumiu (contei aqui ).  Uma greve geral dos transportes havia sido deflagrada dois dias antes da minha chegada e eu já tinha me imaginado acampada no aeroporto Roissy Charles De Gaulle, o CDG.  Em se tratando da França, esse é um risco que a gente sempre corre.  Uma curiosidade: hoje, isso seria, talvez um pouco menos caótico, já que recentemente foram instaladas as Sleep Boxes, no CDG.

São caixas para dormir, em pleno aeroporto.  E se bater uma insônia, tem Wi Fi para uma navegada na internet, televisão …

Uma ótima solução para quem tem um vôo cedíssimo ou para descansar entre conexões.

Mas que atire o primeiro euro quem ia ficar feliz de passar sua primeira noite em Paris, numa cápsula?

Infelizmente,  chegar a  Paris, quando estoura ou durante uma greve com a que está prevista para amanhã, o caos é total e as previsões nada boas.  Para os franceses, greve é quase uma instituição.  E as manifestações e passeatas, um ritual. Durante os dois meses que passei em Paris, volta e meia eu dava de cara com uma galera, cartatazes em punho, reinvidicando alguma coisa e gritando – Tous ensemble! Tous ensemble! (Todos juntos!)

E tudo muito organizado, com a polícia por perto, mas sem interferir.  Os franceses não admitem que se mexa nos direitos adquiridos.

Quando eu perguntava, para Michel ou Vicky (minha vizinha) qual a opinião deles sobre a greve e todos os transtornos que ela trazia, a resposta era sempre a mesma: -Não gosto da greve, mas respeito o direito de fazê-la! E de uma maneira ou de outra, todo mundo acaba se envolvendo.  Os taxistas por exemplo, que aqui no Brasil se esbaldam quando tem alguma paralização, fazendo lotadas, cobrando bandeira 2 ou fazendo o preço que bem entendem, lá, eles se solidarizam e no caso da greve de transportes, também não rodam pois, segundo um deles me respondeu,  se é greve, não tem transporte, n´est ce pas?

Amanhã, então, está prevista uma greve geral. Motivo? O governo quer aumentar em dois anos, a idade mínima para aposentadoria.  Então, todo os setores se mobilizaram. Mesmo. Transportes, portos, cias aéreas,  saúde, hospitais, ensino, creches, escolas e universidades,  correio, combustível, tudo! Greve geral.  O que mais me impressiona, é que, de uma maneira ou de outra, eles lutam pelo que eles acham ser o direito deles, fazem greve, mesmo sem remuneração pelos dias parados.  Mas no que toca ao assunto turismo é o pior dos momentos para aterrissar por lá. Nos sites dos aeroportos, já estão anunciando o cancelamento de vários voos.  O problema mesmo é chegar na cidade. Sem transporte, não dá para sair do aeroporto. Do Charles de Gaulle ao centro de Paris, são 30 Km e de Orly, 15km.  Então vale tentar esse site: Airport Shuttle , onde pode-se reservar um carro ou mini-van e talvez, por ser particular, não seja atingido pela  a greve.  E é  melhor que ficar entalada no aeroporto, sabendo que Paris está logo alí.

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3 Responses to “Os franceses e as greves”


  1. 1 Livi
    11/10/2010 às 6:57 PM

    Eu admiro muito isso nos franceses, de se organizar e se juntar para lutar por algum direito. Todos se unem e respeitam a “paralização” alheia. Talvez se o brasileiro tivesse um pouco disso e não fosse essa total passividade as coisas estariam diferentes no país. Sonhar não custa nada né…
    Essas cápsulas são novidade, parece mais coisa de japonês, a idéia é boa mas não sei se eu conseguiria dormir num treco desse.
    Bjs

  2. 12/10/2010 às 2:32 PM

    Incrível, até para estado de greve você tem como nos apontar uma solução.
    Você é uma agente de turismo nata!!!

    Sobre a mobilização política, bem… a letra do hino nacional deles é levada à risca! (sorriso)

    Adorei a postagem, querida, parabéns!

  3. 3 ginapsi
    15/10/2010 às 7:10 PM

    Ainda bem que não topei com uma greve de transporte!

    Para um povo consciente dos seus direitos e que respeitam o direito dos outros, não poderíamos esperar outra atitude. Greve é greve (na França)! No Brasil é feriado.

    Quanto a cama box, eu dormiria sim! Pra ficar em Paris vale o sacrifício, rsrs.


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