Posts Tagged ‘FRANÇA

27
nov
11

Montpellier

ESTE BLOG MUDOU DE ENDEREÇO:

http://www.maladerodinhaenecessaire.com

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Estamos em constante movimento,e confesso, qdo encontramos um quarto, caímos exaustas! Já passamos por Edimburgo, Highlands, Loch Ness, e agora estamos em Montpellier para o encontro das primas. Simplesmente tudo de bom!!!!

09
mar
11

Eu moro onde estão meus sapatos…London, I´m back!

ESTE BLOGO MUDOU DE ENDEREÇO:

http://www.maladerodinhaenecessaire.com

Ou a minha mala de rodinha, né?

Home sweet home!

Chegamos ontem a Londres, num dia estalando de tão azul e mesmo antes de conseguir  arrumar tudo, senti os efeitos da aventura em cada centímetro dos meus músculos! Acho que toda a serotonina da viagem (que sempre é o melhor analgésico que eu conheço) se dissolveu no exato segundo em que vislumbrei um colchão, e uma vez  que na minha agenda não havia nada para o dia seguinte, permiti que o cansaço se manifestasse! Foram mais de vinte dias nos extasiando, chegando e partindo, pilotando e arrumando malinhas, desvendando mapas, descobrindo como nos locomover em cada cidade, fotografando e andando… andando muito!

Parc Guell Barcelona

Confesso que toda a vez que monto um roteiro, eu tento (juro!) me controlar. Digo a mim mesma que já sou uma senhora, que não há pressa, que tenho artrite reumatóide, que levantar da cama no dia seguinte de um tour a pé por uma cidade nova e deslumbrante será difícil, etc, etc. Mas a coisa vai crescendo de viagem para viagem e  sempre  acabo no já queJá que estou aqui, por que não ir logo alí, já que a pasagem está tão barata e é tão perto! Mas o fato, é que viajando, eu acho que posso tudo! Chegar de madrugada numa cidade completamente desconhecida, percorrer kilômetros com meus pés, descobrir conexões malucas nas linhas dos metrôs, traduzir embalagens nos supermercados, e falar qualquer idioma, mesmo que seja na linguagem dos sinais (e do sorriso).

Palácio de Cristal- Madrid

E agora, em plena quarta-feira de cinzas (láaaa no Brazil), lembro que  desfilei em tantas e longas avenidas, subi e desci tantas escadas de estações e aeroportos, passei por securitys, check ins e outs, e de como  meu carnaval foi tão deliciosamente  diferente de todos os que já passei.

Duomo Milano

Vaticano

Roma

Veneza

Paris

Deu tudo absolutamente certo, (exeto o Trem do Terror de Roma para Veneza).  Foram 8 vôos, 6 ônibus de conexão entre aeroportos e o centro das cidades, 3 viagens de trem. muitos ônibus urbanos e linhas de metrô. Nossas malinhas aguentaram firmes, engordaram em Paris (onde por acaso encontrei uma outra malinha que parece mais perfeita e mais leve que a minha, e lógico, serviu para umas comprinhas extras, já que tivemos que nos controlar muito nas liquidações de Barcelona e Madri). E mais uma vez, afirmo, que com pesquisa, uma certa antecedência, muito planejamento e disposição (e desapego), é possível viajar lowcost (principalmente na baixa temporada), sem aniquilar as finanças, se arrepender depois e principalmente, poder planejar novas viagens.

Venezia St Lucia

Com calma, aos poucos, vou contar tudo!Fotos, mapas, locomoção, etc…

Por hora, vou reenergizar minhas baterias, descansar muito, que hoje é quarta-feira de cinzas!

Até!

Até

22
nov
10

Paris… minha emoção no último dia

SAM 3053

Sim… chegando ao final dessa viagem deliciosa.  E ao escrever, quase sinto o vento gelado daquela tarde de primavera. Nesse dia, eu literalmente divaguei… Tínhamos chegado até ali, depois de dias e dias juntos e misturados, dormindo e acordando, correndo para pegar nossos vôos, nos horários mais loucos. Zigue-zagueamos pela Europa, indo no sul para o norte, dá península ibérica para a uma ilha e depois para a Escandinávia, e Paris seria nossa última cidade. A chegada de nossa maratona.

O dia foi um presente. Um céu azul de doer, a temperatura ainda pedindo um casaco e um cachecol… Cometemos um único erro! Não compramos nenhuma garrafa de vinho para um brinde, enquanto nos esparramávamos na grama. O sol se pondo e nós alí, num momento desses tão mágicos que a gente mal consegue respirar.

Me lembrei do dia em que, numa esquina, perto da Aliança Francesa, eu, Rafael e Clarrice, combinamos viajar juntos.

SAM 3047

Naquela época eu ainda nem tinha colocado meus pés na Europa.  Era só um sonho, um desejo lapidado durante anos e anos.

 

E lá estávamos nós…

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Mas o dia ainda tinha muita luz.

E eu não queria mesmo que ele acabasse.  Nosso destino? Ver as luzes da cidade luz se acenderem lá do alto. Do alto da  Tour Montparnasse! (Cá entre nós, eu curti mais do que a subida ao  Empire State,

embora o prédio não seja tão bonito).




Construído entre 1969 e 1972. Com 210 metros e 56 andares, é o edifício mais alto da França.

Tour Montparnasse Closeup.JPG

E ver o sol indo embora, a noite chegando, as luzes e a Torre Eiffel começando a “glingnoter” é mesmo indescritível.

Por 11 euros, você pode ver Paris inteirinha…

E lentamente as luzes começam a piscar…

E nós lá em cima, como crianças no fim do recreio. O sorriso nem cabia no rosto da gente.

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Como se fosse um balé, o sol cai, o céu fica rosa,  as luzinhas vão pipocando aqui e alí, e num gran finale, a Torre se ilumina e começa a piscar.

É Paris … A cidade luz se iluminando.

E eu que viajo mesmo, fui tomada de uma felicidade completamente infantil.

Daí, um liláz tomou conta da paisagem e a cidade inteira acendeu.

Lá em cima, o vento é de bater o queixo. Mas vale cada tremelique…

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O céu ainda estava azul “noite” quando descemos. Estávamos a dois passos do hotel, mas ainda queríamos mais.

Mais um busum, e chegamos ao Louvre, que nem precisa de todas as obras de arte para ser lindo!!

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E assim, minha câmera (já quase sem bateria) encerrou esse meu último dia com esses amigos queridos. Em Paris. Ultimo dia da primeira viagem. A próxima já está desejada…

Até!!!


17
abr
10

espaço aéreo europeu fechado até domingo…oh lá lá!

É assim que está a situação da nuvem de cinzas do vulcão Eyjafjallajokull…. Se o nome é difícil, a situação é ainda pior.

Até agora, só um e-mail genérico da Air France dizendo para acompanhar os informes no site da companhia. O call center é atendido por um robô e sobre o meu voo, só dizem que “está previsto”, como todos os outros que foram sendo cancelados…

Stand by… fazer  quê?

25
mar
10

paris, como se locomover

Quando cheguei à Paris, a greve de transportes estava no auge! Eu iria ficar dois meses, mas e se fosse apenas uma semana, como aproveitar esse curto espaço de tempo. A resposta é a pé! Pode parecer loucura, mas dá para conhecer Paris a pé. Aliás é a melhor forma. O sistema de transportes é excelente. Todos os cantos da cidade são servidos por uma estação de metrô. Os pontos de ônibus, mostram não só a trajetória das linhas, como quanto tempo vai demorar para chegar o próximo ônibus. E se, antes de sair de casa você tem uma idéia pré-definida do que quer fazer é só consultar o site da Rapt (http://www.ratp.info). É só dizer de onde você vai partir e aonde quer chegar. O trajeto e os meios de transportes são mostrados. Mas….quando os franceses fazem greve, é para valer. Nada funciona. Nem os táxis rodam. Mas em dias normais, o transporte em Paris é tudo de bom. No metrô, prepare suas permas. É muita escada! E em algumas estações, dependendo de sua conexão, a gente anda, anda, anda, sobe, sobe, sobe, anda mais e desce, desce, desce…

Paris (intramuros) está dividida em 20 arrondissements. Como se fosse um caracol, os bairros vão se “enrolando” em ordem crescente do centro para as extremidades. Dividida em duas partes pelo Sena, a metade sul, Rive Gauche e a outra ao norte, a Rive Droite.

O pontinho vermelho : onde eu fiquei hospedada.

Para chegar à Paris a partir dos aeroportos, tudo depende do seu bolso e da sua bagagem.  Eu prefiro a minha malinha de avião, bem levinha e raramente tenho dinheiro pulando da bolsa. Do aeroporto Roissy-Charles de Gaulle, há várias opções. De táxi, em média 50 euros, dá para chegar ao centro de Paris. Mas se a questão é economizar, vamos aos ônibus:

Roissy Bus: liga o Aéroporto CDG (terminal 1, 2 e 3 ) ao bairro Paris Opera

350 : esse é um ônibus comum. Custa 8 euros e te deixa na Gare du Nord, de onde pode-se pegar um táxi ou o metrô.

351: Paris Nation: acho que é o mesmo preço e também te deixa numa estação de metro e RER (trem)

Á noite circulam o N140 e o N141, ambos indo até a Gare de l´Est. Ou seja, dá para economizar…

Ligne-2-Nation-2.jpg

De Orly, depende do terminal.

Orlybus: liga o aéroporto a Place Danfert Rocherreau no 14eme arrondissement

183 : liga Orly (sul) à Porte de Choisy no 13eme arrondissement

285 : liga Orly (sul e oeste) à Villejuif – Louis Aragon (ao sul de Paris)

À noite circulam o N31 e o N131, que ligam o aeroporto à Gare de Lyon

Para quem vai ficar pouco tempo, o Paris Visite vale a pena.

ParisVisite – ADULTES
1 JOUR
EUROS
2 JOURS
EUROS
3 JOURS
EUROS
5 JOURS
EUROS
zones 1 – 3 9,00 14,70 20,00 28,90
zones 1 – 6 18,90 28,90 40,50 49,40

É um ticket magnético, válido de 1 a 5 dias, para todos os transportes públicos (incluindo barcos) e para viagens ilimitadas. Ou seja, dentro do período que for escolhido, você pode andar quantas vezes quiser em quantos meios de transporte quiser.

Se for ficar mais de uma semana, compre a Carte Navigo Decouverte. Decouverte porque é para quem não mora em Paris. É também um cartão magnético, que você pode carregar por uma semana ou um mês. Mas atenção: a validade começa sempre na segunda feira. Ou seja, se for um sábado ou domingo, você terá que comprar tickets para viagens únicas durante o fim de semana. Na segunda, você já pode viajar quantas vezes quiser de ônibus, metrô etc. Esse cartão é vendido nos guiches das estações de metrô e é preciso ter uma foto.  Você pode carregá-lo por uma semana ou um mês para  as zonas que você vai andar.

Quando comprar esse cartão, peça também seu mapa do metrô de bolso. Todo mundo usa e consulta, inclusive os parisienses. Há também o “carnet de dix“.  Compra-se 10 tickets juntos e o preço unitário fica reduzido. A cada vez que se entra no meio de transporte escolhido, um ticket é gasto.  O metrô costuma fechar a meia noite e nos fins de semana, vai até às duas da manhã. À noite funcionam os “Noctillians”, os ônibus noturnos.  Ou seja, em condições normais, se você tiver um mapa da cidade, com os principais pontos turísticos e um mapa do metrô, você tem Paris nas mãos. Ou ao seus pés!

Mas faça também o download do mapa de Paris com ruas e linhas de ônibus = http://www.ratp.fr/ plan de lignes – bus

17
mar
10

Chegando à paris

Fui então conduzida, em um carro quentinho, até a casa de Michel que morava no 18 ème, quase ao lado do Estade de France. Não era exatamente o recanto mais lindo e turístico de Paris. Liguei para Michel, do celular de Dominique. Uma voz pastosa: Alô? Ele  ainda estava dormindo, mas desceria em segundos para me receber. Eu estava em Paris!!!! (e aterrorizada com o primeiro encontro! como seria meu amigo francês?)

A primeira visão de Michel foi cômica. A impressão que me deu foi que ele ainda estava com o travesseiro colado na cara. Uma camisa com manchas de chocolate, café etc e um sorriso enorme me receberam. Mas as surpresas não pararam na camisa. Mesmo  sem querer, quando se fala em Paris, a palavra glamour vem à mente. Mas quando Michel me conduziu ao meu quarto, fiquei imaginando como eu faria para fugir dali o mais rápido possível. A casa era um caos completo. Livros por todas as paredes, muitas coisas por sobre os livros, sapatos pela casa, cinzeiros entupidos e a cozinha???!!!  Era um misto de fim de festa com república de estudantes. Não fosse o treinamento feito durante toda a minha vida com minha mãe geminiana(extremamente bagunceira) e eu  não teria sobrevivido. Mas da janela do meu quarto, eu via a Torre Eiffel e Sacré Coeur. Melhor visual impossível. Era Paris, alí, aos meus pés!!!! E o coração aos pulos!

Com esta paisagem, a gente releva uma baguncinha, né?   Além do mais, ele era extremamente gentil.

O apartamento era todo envidraçado, rodeado por 2 varandas. Os vidros não viam um pano, uma aguinha sequer, talvez, desde que a França ganhou a Copa do Mundo. Foi quando mesmo? A varanda….bem, a varanda era mais um quintal e tinha de tudo. A da sala, restos de festas, latinhas de cerveja, plantas à beira da morte, guimbas de cigarro.  A varanda do meu quarto era mais assustadora e  levei alguns dias para me convencer que não havia ninguém esquartejado dentro daquele saco preto que farfalhava quando o vento era muito forte  (nunca tive coragem de investigar o que era, mesmo depois de 2 meses). Uma panela enorme também fazia parte da decoração. Diga-se de passagem que ela permaneceu intacta até a minha partida para o Brasil.

Depois do café animador que Michel me ofereceu, ele me deu a chave do apartamento e saímos para que eu fizesse um reconhecimento dos arredores. Era tudo que eu poderia fazer sem metrô, pois nem táxis estavam rodando. Fui apresentada à Monoprix, uma espécie de Americanas, onde tratei de comprar meias de lã, e protetores labiais. Depois, sentamos num café, onde tomei meu primeiro petit noir. Pronto, parecíamos amigos de longa data. Eu estava exausta! Com a excitação da viagem, não tinha dormido nem na véspera, muito menos no voo. Mas aquelas lufadas de ar gelado num friozinho de 3 graus, me acordaram para o que seria o primeiro dia de um dos melhores momentos viajantes da minha vida.

Tour Eiffel

Já à noitinha, ele me chamou para ver o jornal, que tantas vezes eu tinha visto pela internet. As notícias não eram muito animadoras. A greve continuaria. Meu segundo dia em Paris dependeria de Dominique, pois não haveria metrô. Tout d´un coup ( não mais que de repente), Michel se levanta e me chama para um passeio a pé.   -Você é turista, não pode passar sua primeira noite em casa! Foi então que descobri o significado do verbo andar.  Pela paisagem da janela, dá pra se ter um leve noção da distância da Basílica de Sacré Coeur. Pois fomos andando até lá!!!! Tout doucement!!! Devagarinho! E, subimos as escadarias!!! Neste instante, pensei em silêncio “Não, ele não esquarteja as mulheres e as joga na varanda, ele as mata….andando!!!´´

Ao entrar na Basílica, além de agradecer aquele momento histórico, realizando um sonho, agradeci estar viva! Ainda não sabia o que vinha  pela frente. Se de tarde, a temperatura era de 3 graus, à noite, quanto estaria?

Pois foi com uma garoa fina, que continuamos passeando. Saindo de Sacre Coeur, percorremos Montmartre, praticamente vazio, por  causa da greve dos transportes. Descemos para Pigalle (0nde fica o Moulin Rouge) e andamos por mais um 4 a 5 kilômetros.

O que ainda restava de mim, se manifestou e pediu a ele para tomarmos alguma coisa. Où? Aonde? Ele me perguntou. O primeiro pub, de onde se ouvia uma voz cantando, me pareceu perfeito e, foi alí que recuperei alguma força e o vinho me ajudou a anestesiar o que ainda podia se chamar de pernas. Depois, Gare du Nord e tome de andar até em casa. Olhando no mapa, “minha casa” era lá perto do Estade de France, quase no fim da cidade intramuros.

Aquele quarto, aquela caminha me pareceram a suíte mais vip do Ritz! Me joguei na cama, rezando para conseguir me levantar no dia seguinte…Notredame de Paris, orai por mim.

16
mar
10

Enfim Paris!

Como prometido, ainda estou organizando o blog. Mesmo com um grande atraso, este é o primeiro de uma série de posts sobre Paris. Afinal, foi essa experiência que deu origem a este blog, mas que na realidade, acabou não rolando, pois meu computador “mórréu” logo na primeira semana da tão sonhada temporada em Paris e quando voltei ao Brasil, tive contato imediato de ultíssimo grau, com a tal depressão pós viagem, pós europa e não consegui levar o blog…

Minha estória com Paris começou cedo e levou muito tempo para chegar ao final feliz. Aos nove anos comecei a aprender francês e antes de pensar sobre o que eu queria ser na vida, pensava: preciso conhecer Paris!!! Não vou falar dos motivos que me fizeram levar tanto tempo para realizar esse desejo. Seria praticamente uma autobiografia. O fato é que demorou muito, mas em vez de passar uns dias, passei dois maravilhosos meses, vivendo em Paris.

Em 2006, depois de trinta anos, voltei a estudar francês, e noa ano seguinte,comecei finalmente a planejar minha viagem. Adoro planejar viagens. Atracada a um notebook, foram 6 meses viajandona. Finalmente Paris! Mas como tudo na minha vida tem  uma estória, essa viagem não poderia ficar de fora.

Para começar, pouco dinheiro. Para compensar muita sorte. Mas muita sorte mesmo! Como eu queria, praticar meu francês, vivia no MSN e no ICQ tentando contato com franceses ou francesas. Estas últimas nunca me responderam. Mas acabei fazendo amizade com Michel, um viajante inveterado, apaixonado pelo Brasil que insistia em me oferecer um quarto independente na casa dele em Paris. Conversamos durante mais de um ano. Foram meses elaborando a idéia. Como euzinha iria ficar na casa de um cara solteiro durante dois meses? Mesmo assim, resolvi arriscar, com um plano B na manga, é lógico! Mas com a economia na hospedagem em vez dos vinte dias eu poderia ficar 2 longos e maravilhosos meses.

Durante meses eu acompanhei os jornais franceses e francamente sabia mais do que estava acontecendo em Paris do que na esquina aqui da rua. A data da minha viagem se aproximava e em Paris o caos se instalava. Greve de todas as categorias, passeatas…Nesta época eu falava quase que diariamente com três franceses. Michel, que iria me hospedar, Dominique e Olivier. Todos fisgados no ICQ. Cada um emitia sua opinião sobre o que se passava na França. Uns quatro dias antes de eu embarcar, a greve que poderia ter estragado tudo, aconteceu. Os transportes, todos eles, parados! As negociações estavam acirradas. Mas como sorte não me faltou, Dominique declarou que iria me buscar no aeroporto. Salva! Pelo menos não passaria meu primeiro dia em Paris, no aeroporto. Mas eu tinha lá minhas dúvidas…como um cara que nunca me viu, iria sair de casa em pleno inverno, no primeiro dia de férias, para pegar uma brasuca no aeroporto em plena greve de metro, ônibus e trens? Mas quando saí do saguão, lá estava ele e seu narigão francês, sorrindo para mim. Aprendi que francêses, quando falam eu vou, eles estarão lá. É um compromisso. Aliás, isso é uma coisa ligada à lógica. Quando eles dizem uma coisa, é aquela coisa. Não é como aqui, que a gente convida por convidar e depois fica dando desculpa ou fugindo da pessoa. Fica muito mais fácil a convivência. Em compensação, as palavras tem muito mais força, pois elas significam exatamente o que eles querem dizer.

Assim, começou minha aventura parisiense. Salva por um francês que eu nunca tinha visto pessoalmente.

01
fev
09

ROUEN II


Saímos do café… A chuva a esta altura, transformou-se em pequenos canivetes, que nos atingiam por baixo do guarda chuva.
Eu e Carol desenvolvemos uma linguagem afro européia e sempre proferíamos palavras nesse idioma, quando o frio apertava. Nesse dia, dissemos textos complexos! O frio era de rachar o bico… Mas mesmo assim, decidi conhecer o interior do que eu achava ser a Cathédrale de Notredame de Rouen.
As duas e meia em ponto, uma moça abriu a enorme porta e sorrindo nos disse para entrar. Um momento completamente mágico. O interior é indescritível, e como estávamos sozinhas, nos sentimos mais minúsculas ainda, diante daquele monumento. Como sempre, agradeci, embevecida com todos os detalhes das colunas e dos vitrais. Descobri então que não se tratava da Catedral e sim da Abattiale Saint-Ouen.
Na saída, ainda tremendo de frio, pegamos o mapa de Rouen, o que fez revelar uma cidade que por pouco deixamos de conhecer por causa de um “friozinho de nada e de uma chuvinha boba”! Decidimos então, procurar a Rua do Gros Horloge e, num passe de mágica, a chuva foi diminuindo, o vento passou e tudo se transformou numa tarde maravilhosa. Enquanto procurávamos o tal relógio… ( como se fosse normal) descobrimos uma cidade agitada, um comércio bombando, carros passando, numa mistura de idade média com progresso, lojas, grifes, todas preservando o prédio em que estão instaladas, conferindo um charme a mais. Tudo em liquidação massiva, não resistimos e misturamos num piscar de olhos, nosso passeio cultural, à mais pura e selvagem caça capitalista. Ninguém resiste a um casaco  lindo a…. 12 euros!!! Camisetas e bijuterias? 1 Euro. Uma pechincha! Retomamos nosso contato com a cultura e, encontramos enfim, la Rue du Gros Horloge! Uma senhorinha nos indicou o caminho certo. Voltando, demos de cara com a catedral . Outro momento indescritível… A catedral de Notredame de Rouen. Esta foi a Catedral pintada por Monet, mostrando que a cada hora do dia, podíamos ter um “impressão diferente” do mesmo objeto. IMPRESSIONISMO…Há muito tempo vejo esses quadros em fotos e pude vê-los  tête à tête no Musée d´Orsay em Paris. Mas vê-la assim, na minha frente, quase como um acaso, foi um presente dessa viagem, que quase escapou mas que felizmente está gravado na minha retina.
Tivemos mais um dia maravilhoso. Voltamos à pé para a estação e esperamos nosso trem. Voltamos para Paris, no trem cuja passagem já estava comprada. Pra variar, a hora do trem, era 19:11…às 19:10 ouvimos o trem chegando.

Nota: De Paris a Rouen é um pouquinho mais de uma hora de trem.

27
jan
09

ROUEN, uma visão

Abatiale de Saint-Ouen Rouen França

Faltam poucos dias para voltarmos ao Brasil. Devo confessar que vai ser difícil me despedir de Londres e de tudo que vivemos aqui. Reunir nossa pequena família, foi um sonho. Abraços coletivos, muitas gargalhadas, muita união.
Londres será um capítulo enorme neste blog, quando voltar ao Brasil. Assim, poderei amenizar as saudades que vou sentir.

Mas antes, preciso falar de Rouen. Capital da Normandia, ao norte da França, fica a uma hora de trem de Paris, partindo da Gare Montparnasse. Nosso passeio foi de um dia. Saímos de casa, no 18éme, Paris, metrô para a Gare Montparnasse e de lá pega-se um trem. Em uma hora você está em Rouen. Simples assim.

Uma cidade que também preservou seu passado sem parar no tempo.

Nossa chegada foi um tanto traumatizante. Chegamos por volta do meio dia e, chovia torrencialmente. Uma chuva dessas de lado, acompanhada de um frio absurdo e de um vento que transformava as gotas de chuva em giletes. Saindo da estação de trem, pode-se ver a torre gótica da Abbatiale e fomos nos guiando por ela, para chegar ao centro histórico. Entramos numa rua estreita e logo de cara pensei: cidade fantasma! Não havia mais de duas pessoas na rua, em pleno dia de semana. Carol olhou para mim meio em pânico, pois tínhamos comprado a passagem de volta para as sete da noite, o que nos deixaria debaixo de chuva e frio ( e tédio ) por sete horas. No caminho para a enorme Abbatiale, vimos umas três Pompes Funèbres ( casa funerária )! em silêncio, imaginei…morre-se muito em Rouen!!! (De tédio, talvez). Continuamos nossa caminhada e ao contornarmos a construção colossal, descobrimos que só poderíamos visitar seu interior, às duas e meia da tarde. Percebi no olhar de minha filhota o  pânico se agigantando…eu, mantendo meu espírito aventureiro, mesmo com as mãos congeladas, resolvi preencher esse gap de tempo deglutindo nosso delicioso sanduíche e, procurando um lugar quentinho para tomarmos um café. Foi então que descobrimos que do meio dia às duas da tarde, a cidade, as lojas, os bares, as igrejas, o comércio em geral simplesmente fecha as portas, daí a impressão assustadora ( e completamente errônea ) de cidade fantasma.
Conseguimos encontrar um pequeno café, bem típico, com as paredes em madeira, onde havia vida inteligente, pessoas falando e um casal de meia idade sorridente, preparava sanduíches e cafés. Como já tínhamos comido o nosso, pedimos um capuccino, que seria bebido lentamente…até a abertura da catedral. Nesse breve aconchego, decidimos que veríamos os monumentos e bateríamos em retirada de volta a Paris, mesmo que tivéssemos que comprar outras passagens.

As duas e vinte e cinco, voltamos à Abbatiale. Na porta lateral, só dois homens, também esperavam pela abertura do enorme portão. Duas e meia em ponto, uma jovem entreabriu a porta e nos deixou entrar. O frio de rachar, não diminuiu dentro, mas a visão aquece qualquer um, que como eu, é apaixonada pelo estilo gótico e pela Idade Média.

Ao contrário da maioria das catedrais, esta abbatiale, tem pouquíssimo bancos, o que nos faz sentir que somos ainda menores, dentro uma construção de 134 metros de altura. Foi um momento mágico, desses de tirar o fôlego.

Só que eu, até entrar , estava completamente confundida, achando que aquela era a Catedral de Notre Dame de Rouen, famosa entre outras razões, por ter sido pintada por Claude Monet em diversas horas do dia…O quadro de Monet, Impressions , soleil lévant, deu origem ao termo impressionismo. Mas a Abbatiale me impressionou de tal maneira, que mesmo sob cuva de canivete, eu queria ver de perto a Catedral e le Gros Horloge.  Conseguimos na recepeção, um mapa de Rouen. Negociei com Carol de irmos aos dois principais pontos e seguiríamos para a estação.Procurando a rua do Grande Relógio, nos deparamos com uma cidade viva, carros pelas ruas e um centro de comércio bem agitado. com todas as lojas respeitando a fachada histórica. E no meio desse centro, de uma ruinha torta, nos deparamos com a Catedral de Notre Dame de Rouen.

Imagine estar diante dela. Começou a ser construída no século XII. conforme os séculos passaram, o estilo gótico foi também se modificando até chegar ao Gothique flamboyant, do qual esta fachada é um exemplo.

Nosso passeio, que começou quase em desespero, foi uma surpresa atrás da outra. Um dia desses de êxtase visuais. Voltamos para Paris, no trem cujas passagens já estavam compradas, literalmente exaustas, depois de 7 horas andando e nos maravilhando.

23
jan
09

NOTRE DAME DE PARIS, sempre

Chegar a NOTRE DAME é sempre uma emoção.

Passei dois meses em Paris e, sempre que passava por ela, meu coração disparava. E mesmo tendo virado uma cena corriqueira, ainda sinto a mesma emoção de quando a vi pela primeira vez. Toda a história, toda a emoção de sua construção, estão impregnados nos contreforts extérieurs , no portal…

Mas é quando eu entro, que o milagre acontece. Sinto um aconchego indescritivel. Uma sensação de que tudo está bem e que assim estará. Tudo que consigo fazer é agradecer e enxugar lágrimas de felicidade.


NOTRE DAME, É MEU MILAGRE PARTICULAR…




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