Posts Tagged ‘MISCELANEOUS

23
dez
09

CHRISTMAS GIFTS

Ontem só fizemos comprinhas para nossa viagem de hoje.  Eu e Carol temos um momento mulherzinha enlouquecida, todas as vezes que entramos na Boots ou na Superdrug.  É o nosso momento nécessaire.  Todas as marcas de maquiagem, cremes, coisinhas miúdas sem as quais a gente não pode viver sem,  nem mais um segundo, depois que a gente descobre que existe. Ainda mais aqui, no inverno, quando temos um inenarrável prazer de nos maquiar, passar cremes, perfumes.

Depois, escrevo com calma sobre cada ítem maravilhoso, mas por hora, recomendo o tal do rímel trimilique…É isso mesmo,  o pincel do rímel, treme e depois você fica com c í l  i o s  maravilhosos. Tembém adquirimos um kit de viagem para cabelos maravilhosos do Mark Hill. Delicadezas para lábios ressecados, lencinhos antibactericidas, etc, etc…

Tem que caber tuuudo dentro da malinha.

17
dez
09

ANDANDO E NEVANDO

Ontem acordei e como sempre fui fazer meu café. Olhei pela janela da cozinha e, em êxtase vi que estava NEVANDO !!! é o que chamam light snow, porque quando a neve cai no chão derrete.  Mas é lindo anyway.  Nos arrumamos em camadas de roupas e saímos. No caminho para o ponto de ônibus,  a coisa começou a apertar.

Nosso destino era Southwark Cathedral, é uma capela que virou, pequena e aconchegante, que visitei o ano passado às vésperas de voltarmos. Sou louca por catedrais. Tenho um pé na idade média.  Mas faz pouco tempo que compreendi que para ser uma catedral não precisa ser enorme, basta que tenha uma cátedra, que vem a ser a cadeira do bispo.  Mas essa em especial se tornou uma das mais queridas.  Inicialmente um prioradao, construída pelos Normandos, dedicada a St Mary ficou conhecida como St Mary Over the River, que virou St Mary Overie.  Ela fica ao lado da estação de metro London Bridge, mas por um acaso maluco, nos perdemos andando sob uma mistura de chuva, vento e neve. Fomos, as duas louquinhas, parar perto de Tate Modern, num dia em que até os peixes do Thames estavam batendo queixo.  Paramos para restabelecer energias com capuccinos e um delicioso wrap, que degustamos, óbvio, do lado de fora.  

Acabada a refeição, nos localizamos, com a ajuda de algumas placas e, partimos para a missão. Não era exatamente uma promessa, mas eu queria muito ir à catedral.

Continuamos meio perdidas até que demos de cara com o Bourough Marcket, cuja  a história está ligada à London Bridge, a única ponte sobre o Rio Tamisa,  até o século 18 e portanto a única ligação de Londres e o sul da Inglaterra, com a Europa continnental e seus produtos.

Considerando que saímos de casa por volta do meio dia, já estávamos andando a 4 horas e eu ainda não tinha chegado à S Cathedral.  Mas estávamos perto. Depois de virar a esquina, uma esquina de uma ruela estreita, lá estava ela!

A foto está tremida de pura emoção.

Quando entramos eu estava em estado de graça e para completar, um coro de meninos ensaiava no altar, cântigos de Natal.  Um senhorinha, com panfletos na mão veio em nossa direção, perguntando qual era a nossa língua para nos entregar a história da catedral. Essas senhorinhas, na sua mariora, cor-de-rosa, fazem parte dos Amigos ou Ajudantes da Capela. Cuidam, recebem e orientam os visitantes e são simplesmente uma delicia.  Depois desse momento totalmente emoção, tive outro. Fomos na lojinha da Igreja, comprei um chaveiro e meu segundo anjinho. No caixa, duas senhorinhas, uma delas beeeem senhorinha, com óculos grandes, mãos magrinhas, articulações dos dedos daquele jeito bem vovó… As duas tentavam se entender com aquela máquina estranha – o computador – Uma demora inevitável entra a escolha dos suvenirs e o pagamento. Mas eu nem liguei, ao contrário, tive ímpetos de pular o balcão e abraçar a senhorinha.

Cumprida esta tarefa, tínhamos que comprar nossas passagens para York. Vamos de ônibus, mas tinham nos garantido que vendiam em Kings Cross, estação de trens que partem para toda a Inglaterra, ao lado de St Pancras. estação de trens internacionais, como o Eurostar. Lógico que não vende passagens de ônibus na estação de trem, mas mais uma vez eu nem liguei. Um outro coral se apresentava na estação e deixamos o recinto ao som de We Wish You a Merry Christmas and Haappy New Year! lálálá lálá.

Metro lotadaço, em pleno rush londrino pré natal. Eu fui entrada no vagão pela multidão e acho que meus pezinhos nem tocaram o chão. 2 estações, Victoria Station, literalmente a mais apinhada de gente da face da terra. Andamos até Victoria Coach, compramos as passagens e para a surpresa (e desespero) de Carol, eu ainda tava afim de ir a Oxford Street comprar o tripé maleável para minha câmera, pois com ele, podemos tirar fotos de nós tres juntos. Simplesmente não posso mais viver sem isso!!!

Saímos na Oxford  Circus, eternamente congestionada, mas neste período é especialmente entupida de gente. Atravessamos o tal cruzamento japones, que é mega engraçado, porque as pessoas ficam dançando para não se baterem de frente e enfim, chegamos à loja.

É lógico que o que a gente quer, está sempre no último andar. No caso da John Lewis, no 6 andar. Graças a Deus o mais vazio. Achamos o tripod rapidinho saimos e eu completamente surtada, ainda quiz passar na Primark para dar uma checada se tinha um casaco de nylon, que não deixa passar chuva, nem frio, nem neve, do meu tamanho, já que na véspera, tinha ficado com isso no meu cérebro.  Vimos casacos semelhantes, mais curtos, mais ou menos peludos e muito mais caros. Então eu queria aquele. Essa loja é uma mistura de C&A com Leader, só que com preços ridículos.  No meio de uma arara, com uns cinquenta casacos  achei o único do meu tamanho. Pronto! felicidade total. Não fosse algo incomodando no meu calcanhar, iria inventar mais alguma coisa para fazer.  Mas ao chegar no ponto do ònibus, pânico total! Eu simplesmente não podia tocar no meu calcanhar. Bom, daí por diante, foi pura mentalização.  Eu vou conseguir chegar em casa!! Mas…ainda passamos no Tesco e euzinha quase pedi para ser levada para casa num dos carrinhos.

Chegamos em casa e ao tirar a bota (nova, daquelas que tem pelúcia dentro) descobri que o solado da dita cuja, é praticamente um engradado, formado por losangos de um material duro.  8 horas de caminhada+ bota nova? um calombo no calcanhar… Mas nada como uma caminha quentinha um pouco de juizo e um dia em casa para renovar as energias. Amanhã tem mais.

23
nov
09

COZINHANDO EM FOGO ALTO

Eu queria muito continuar meus relatos…mas me sinto uma lagosta, colocada ainda viva para ferver. Fica impossível relatar uma tarde agradabilíssima a 5 graus em Paris, quando preciso de uma toalha molhada em cima de mim para aguentar até o próximo minuto. Este ano não tivemos inverno (pelo menos não no Rio). Tá bom, se  menos quente é inverno, vá lá. Mas não tivemos primavera. O verão chegou  sem vergonha de invadir os dias e as noites. Ninguém fala de flores. Só do calor insuportável, até mesmo para quem gosta. Alguém precisa de mais alguma prova das mudanças climáticas? Ah sim, o Obama … Mas lá onde ele mora, tem neve no inverno, flores na primavera, e, aí sim, calor no verão.
Mas agora, por volta de meia noite e meia, sinto uma leve fresca entrando pela janela e me sinto renovada pois o termômetro abaixou um pouquinho. Acima de trinta graus dentro de casa, durante um fim de semana interinho, me deixou deprimida. Dou graças a todos os deuses e santos, quando consigo teclar algumas palavras sem molhar o notebook de suor. O pior é que ainda nem começou.

26
jun
09

MUSIC AND ME

Eu tinha 5 anos quando ouvi na radio uma voz. Minha mãe era professora de inglês, e logo corri para ela, querendo saber o que a voz cantava. Em preto e branco, vi os primeiros vídeos de cinco rapazes cantando…Logo depois, assistia na televisão, o desenho animado dos Jacksons Five. ABC, I´ll be there, Got to be there,I wanna be where you are, Music and me………

Assim, durante toda a minha infância e início da adolescência, fui embalada por essa voz. Baladas românticas, músicas dançantes… Um estrondoso sucesso na novela das sete, ainda em preto e branco: Ben, tema musical de Uma Rosa com Amor. Que atire a primeira pedra, quem nunca cantarolou uma canção de Michael Jackson! Quem nunca se sentiu inundado por essa voz? Ou impelido a dançar loucamente, ao ritmo das batidas de seus sucessos? Eu, assumo sem nenhum constrangimento, cresci junto com ele, ouvindo e adorando ouvir suas músicas. Sou o que se pode chamar de uma fan.

Esses últimos dois dias, chocada como milhões de pessoas no mundo, me prostei em frente à televisão, zapeando entre todos o canais e, enquanto colocavam a estória, e as músicas de MJ, fui tomada por lembranças de quase toda a minha vida. Pude me transportar para a minha adolescência. Assim como minha filha. Lembramos de cada momento em que estávamos, quando vimos os lançamentos de seus vídeos clips. Como cada música, fez parte de algum segmento de nossa estória, de como dançávamos em casa ouvindo Michael Jackson. Sempre adorei dançar ao som de suas músicas. Fui contagiada pelo “passo lunar”. Em muitas discotecas e festas, fiz “Thrillers” inesquecíveis!
Que dizer de We are the World, que chamou a atenção para a desgraça na África e, desencadeou uma epidemia de embromation mundo afora? Quem não se emocionou com Earth Song? Quem não quiz melhorar o mundo ouvindo The Man in the Mirror? Quem não se acabou dançando Black or White? São muitas, muitas lembranças inesquecíceis. Eu mesma, não tinha essa visão tão límpida de como esse artista esteve tão presente durante toda a minha vida.

A despeito de todas as polêmicas, sua arte pontuou a biografia de mais de uma geração. E ele, com toda a sua confusão e tristeza interiores, fez a alegria de gente de todas as idades, de todos os lugares do mundo, de todas as cores e raças e, principalmente de todas as classes sociais. Isso é incontestável. E para mim é o que basta.

30
maio
09

KNITTING (ENTRE AGULHAS E LINHAS)


Um longo tempo ausente, eu sei…Mas enquanto não rola minha próxima aventura, tenho me enrolado em novelos e agulhas. Sempre adorei trabalhos manuais. E trabalhei com isso. Um delicioso período. Um atelier no meio do mato, argila, massa de biscuit, alunas e muitas gargalhadas. Mas como sou compulsiva, trabalhei demais e tive problemas com as tintas. Agora, volta às cores e texturas, mas sem perigo algum. Assim que o termômetro abaixou alguns graus, me animei toda e tirei do armário minhas agulhas e novelos para começar meu tradicional cachecol de todos os outonos. Devo dizer que já tenho uma longa coleção que nunca uso aqui em terras tupiniquins. Mas mesmo assim adoro tecê-los. Mas agora, me aventurei no crochê e em pontos mais complicados. Na internet, achei vídeos ensinando praticamente tudo, e fiquei enlouquecida quando vi que é uma mania internacional. Em Londres existem grupos que se reúnem semanalmente em pubs para fofocar, tricotar e beber várias pints. Da próxima vez que eu for, já tenho por onde começar.

http://www.stitchandbitchlondon.co.uk/

http://www.iknit.org.uk/

http://www.joyofhandspinning.com

Lojas maravilhosas com lâs (yarns) de todos os tipos imagináveis. Aqui em Nicty, bem, aqui, só um antigo armarinho onde passo sempre pra ver se tem alguma novidade. Então, mãos à obra e em minha fúria tricoteira e crocheteira já fiz dois cachecois, uma boina fashion, e duas roupinhas para minhas bebês peludas. Uma delícia.

28
abr
09

A GRIPE DO PORCO

Na semana passada, eu estava super empolgada com a possibilidade de viajar novamente. Desta vez, só para variar, iríamos à Buenos Aires ou Santiago do Chile. Aliás, o governo brasileiro, acaba de anunciar um mega financiamento para turistar. Vamos pagar nossas aventuras em até 24 vezes…Só não decidiram ainda, a taxa de juros.
Mesmo não gostando de viajar a prestação, várias promoções me chamaram a atenção. Nosso maior problema agora, é que minha filhota está trabalhando duro. Temos que nos contentar em viajar em feriados, o que não é muito a nossa praia. Mesmo assim, estávamos animadas em encontrar nossa próxima viagem. América do Sul, algo aqui por perto mesmo… Enquanto eu procurava na internet o feirão de passagens aéreas, assistia a televisão ao mesmo tempo. Bomba…depois da crise econômica, temos agora uma gripe mortal e globalizada.

A gripe suína.

.
Veredicto: não é uma boa hora para se enfiar num avião, aeroportos, aglomerações. Ninguém tem um cartaz na testa, ecrito: Estive no México, ou, mantive contatos com pessoas infectadas. Além disso, fiquei imaginando nós duas de mácaras cirúrgicas, arrastando nossas malinhas, correndo de vírus invisíveis. Definitivamente, não ia ficar bem na foto. Estamos então aguradando os fatos…

17
mar
09

SUPER SIMPLE

Não há coincidências. Mas estou em meio a várias. Estou tão empolgada com meu momento “THROW AWAY” que tenho literalmente atraído situações inusitadas. Em meio ao mais absoluto caos, vivo um momento pós-nuclear. Quanto mais mexo e cavuco, mais me impressiono com a minha capacidade (inconsciente e desconhecida) de ter coisas. Coisas com as quais não tenho nenhuma ligação, pois não sou de me apegar a coisas.

Ainda tenho mil fotos, mil situações para contar sobre a minha viagem. Mas realmente preciso escrever sobre mais esse momento de liberação. Criar espaços vazios…
Normalmente sou ansiosa, quero logo ver tudo arrumado, lindo, como uma capa da “CASA CLAUDIA”. Desta vez estou saboreando a liberdade, inclusive de viver um tempo no mais absoluto caos. Hoje, durante um breve intervalo, cercada de papéis rasgados, liguei a televisão e dei de cara com a Oprah mostrando uma reportagem sobre como as famílias americanas estão encarando a crise e como outras famílias descobriram o que tinham acumulado em casa e que poderiam doar. Famílias endividadas, com closets lotados de caixas de sapatos de marca, (uma imagem impressionante) ainda com estiquetas, jeans e jaquetas, e tudo o mais abarrotando um espaço que mal dava para se mexer. Isso sem falar nos quartos de brinquedo onde as crianças mal entram e nos estoques de comida ( tudo bem, eles tem inverno, precisam guardar ” as nozes”). E por traz de tanta coisa, “so much stuff”, todas as famílias foram unânimes em aceitar o desafio de viver uma semana com menos. Menos opções. Sem carro, sem televisão, sem dinheiro e sem tanta coisa. Todas as famílias após essa primeira semana, disseram ter aprendido uma grande lição. Ter muito, não é ser muito. Com menos, as famílias se uniram mais. Sem carro, descobriram o prazer de conversar durante a caminhada ( de dois quarteirões) para a escola. Sem televisão, tiveram que conversar e inventar um momento em família. Sem dinheiro, descobriram que não precisam jogar fora toneladas de resto de comida.
A simplicidade virou moda. Porque simplicidade é melhor do que sandália havaiana.

Outro fato delicioso, é que minha prima querida, minha irmã querida do coração, que já passou por um momento parecido de mudança, ainda conserva algumas coisas das quais precisa se livrar. Coisas grandes, enormes…Que estão entuchadas num guarda-móveis, custando quando pesam…Só que nós mudamos e as coisas não. O clima muda, a vida muda, os objetivos mudam e as coisas são as mesmas. Inanimadas, precisam de nosso empenho para que ganhem novas energias…O mais engraçado é que essas coisas enormes vão fazer uma escala aqui em casa para enfim, serem doadas ou vendidas junto com as minhas. Vai ser muito engraçado, o dia que sair tudo…vão me perguntar se estou me mudando outra vez. E de uma certa forma estou.
Minha mãe e meu pai, eram, cada qual a sua maneira, guardadores profissionais e aficcionados. Cresci, um pouco refém de coisas que eu não entendia porque estavam alí, simplesmente enfeiando o ambiente. Como uma típica libriana, aquilo me deixava doente! E a frase que eu mais escutava era: -Eu sei que eu tenho mas não sei onde está! Essa frase se aplicava a quase tudo. De documentos a livros, de alicate de unha a declaração do imposto de renda.
Transcrevo aqui, um poema que escrevi quando tinha 14 anos, vendo um armário onde meu pai guardava sua vida.

ARMÁRIO ANTIGO

UM CHEIRO PASTOSO EMANA
AO ABRIR-SE A PORTA DAQUELE ARMÁRIO DE ONTEM
BOLAS DE GUDE DOS TEMPOS DE MOLEQUE
VIDRINHOS, POSSÍVELMENTE ÚTEIS UM DIA
QUEM SABE…
FERRAMENTAS, FERROLHOS
FERRRUGENS, FERRAGENS, TAMPINHAS
A PERNA DAQUELA BONECA JÁ MORTA
PARAFUSOS, ROSCAS, ROLHAS
DOCUMENTOS INÚTEIS AGORA
AQUELE VASO QUEBRADO
A TESOURA SEM FIO
UM RIO
DE LEMBRANÇAS, DE AMARGURAS
RADIOGRAFIAS DE DOENÇAS CURADAS
CACOS DILACERADOS QUE FICARAM
DO MUITO TUDO QUE SE FOI
O CAPACETE DA REVOLUÇÃO DE 32 (AINDA ENLAMEADO)
A COLEÇÃO DE MOEAS
OS CALENDÁRIOS DE RETROCESSO
A MÁQUINA QUE JÁ NÃO FOTOGRAFA
A CANETA DO GINÁSIO
FOTOS EMBAÇADAS
O TELEFONE MUDO, TÃO FALANTE OUTRORA
SEGREDOS ENGAVETADOS
SIGNIFICADOS IMPORTANTES
DE MOMENTOS INSIGNIFICANTES
CARTAS SOLITÁRIAS DE UM BARALHO SEM REI
POSSÍVELMENTE ÚTEIS UM DIA
QUEM SABE?

08
mar
09

BELONGINGS


Minha ausência deste blog se deve a dois motivos…

1)A insuportável onda de calor que se instalou no Brasil, o que me deixa completamente prostrada!
2)Uma completa e profunda arrumação da minha casa.

O segundo ítem poderia se tornar assunto de uma longa tese. Por que acumulamos tanta coisa? Por que compramos mais e mais? Por que temos coisas que não usamos e nem mesmo vemos há mais de um ano? Todo final de ano, me faço essa pergunta e me desfaço de muita coisa. Como viajei, não pude fazer minha tradicional THROW AWAY. E foi exatamente, durante a viagem que realizei a total insanidade que é ter muitas coisas que não usamos. Voltei, decidida a implementar no meu dia a dia, a delícia de ter o mínimo necessário. Passei dias absolutamente maravilhosos, apenas com o que cabia na minha malinha. Liberdade!
Estou acostumada a mudanças de casa. Foram mais de vinte. Algumas vezes, saí de uma casa para a outra com um colchonete e poucas peças de roupa. E transbordava de futuro… de possibilidades.
Neste exato momento, estou fazendo uma pequena pausa. Um intervalo em mais uma das minhas grandes ´´throws aways´´. Em meio ao caos total, escrevo para registrar meu espanto. Como euzinha tenho tanta coisa? Energia parada. Tudo que não se vê, não se usa. E tudo que não se usa, é energia parada.
Não sei se vou conseguir ter só uma malinha. Mas que muita gente vai ficar feliz com o que não me serve mais, disso, eu sei. E essa é uma sensação maravilhosa!
No próximo post, volto à viagem. Até porque, viajar é uma filosofia de vida. E viver é a grande viagem.

24
fev
09

E ACABOU O CARNAVAL….(saudade da minha mãe)

Hoje, terça-feira gorda, o carnaval está indo embora. E eu, ainda com tantas estórias pra contar, não posso deixar de registrar essa passagem. Não sou muito de bloco, de perambular pelas ruas fantasiada. No verão escaldante, prefiro hibernar num bom ambiente com o ar refrigerado bombando. No entanto, é impossível escapar das inevitáveis reportagens ao vivo, mostrando como todo mundo está se esbaldando na folia. E mesmo sem a mesma empolgação, as escolas de samba o Rio de Jeeiro, invadem o nosso habitat. É a ditadura da felicidade. Por princípio, não gosto de datas impostas. O mais gostoso da vida é o imprevisto. O acaso.
Já fui à Sapucaí e talvez seja o único espetáculo carnavalesco que eu realmente goste, ao vivo e a cores. No entanto, ver pela televisão é um suplício. Um outro ritual. Comentaristas, narram compulsivamente qualquer detalhe, provando que estudaram as apostilas a finco. Entrevistas ridículas antecedem a entrada triunfal da escola na avenida E as escolas de samba, de uns anos pra cá, esqueceram exatamente do samba. Não houve um sequer que empolgasse.
Lembro que quando era pequena, me preparava junto com minha mãe, para ver a transmissão do desfile. Ainda em preto e branco, imagine! Fazíamos sucos, sanduíches e transformávamos a sala em camarote. Minha mãe, mangueirense doente, torcia o nariz para todas as outras escolas. E passávamos a noite acordadas, vendo as escolas passarem, comentando os tropeços e percalços dos sambistas. Era muita emoção. E eu esperava por isso. Mas meu olhar mudou.
Acho que esse código, sempre foi o sabor do meu carnaval. Minha mãe. Uma foliã de poltrona, das mais amimadas. E me lembro que no último carnaval, em que ela estava conosco, saímos eu e as crianças, para comprar uma televisão bem grande. Queríamos animá-la e, o desfile das escolas de samba, era um bom pretexto. Em plena sexta-feira de carnaval, chegamos eu e Carol com uma enorme televisão.
– Vamos mãe! Vem ver o que a gente comprou! Num passo de passarinho, ela levantou da cama, veio até a sala e sorriu. Mas não assistiu aos desfiles. Já estava muito cansada. E nem a televisão nem a Mangueira fizeram mamãe levantar. Nem eu.

Sinto falta dela.
Sinto falta da minha mãe.
Naquele canto está faltando ela e a saudade dela ainda dói em mim…

27
jan
09

ROUEN, uma visão

Abatiale de Saint-Ouen Rouen França

Faltam poucos dias para voltarmos ao Brasil. Devo confessar que vai ser difícil me despedir de Londres e de tudo que vivemos aqui. Reunir nossa pequena família, foi um sonho. Abraços coletivos, muitas gargalhadas, muita união.
Londres será um capítulo enorme neste blog, quando voltar ao Brasil. Assim, poderei amenizar as saudades que vou sentir.

Mas antes, preciso falar de Rouen. Capital da Normandia, ao norte da França, fica a uma hora de trem de Paris, partindo da Gare Montparnasse. Nosso passeio foi de um dia. Saímos de casa, no 18éme, Paris, metrô para a Gare Montparnasse e de lá pega-se um trem. Em uma hora você está em Rouen. Simples assim.

Uma cidade que também preservou seu passado sem parar no tempo.

Nossa chegada foi um tanto traumatizante. Chegamos por volta do meio dia e, chovia torrencialmente. Uma chuva dessas de lado, acompanhada de um frio absurdo e de um vento que transformava as gotas de chuva em giletes. Saindo da estação de trem, pode-se ver a torre gótica da Abbatiale e fomos nos guiando por ela, para chegar ao centro histórico. Entramos numa rua estreita e logo de cara pensei: cidade fantasma! Não havia mais de duas pessoas na rua, em pleno dia de semana. Carol olhou para mim meio em pânico, pois tínhamos comprado a passagem de volta para as sete da noite, o que nos deixaria debaixo de chuva e frio ( e tédio ) por sete horas. No caminho para a enorme Abbatiale, vimos umas três Pompes Funèbres ( casa funerária )! em silêncio, imaginei…morre-se muito em Rouen!!! (De tédio, talvez). Continuamos nossa caminhada e ao contornarmos a construção colossal, descobrimos que só poderíamos visitar seu interior, às duas e meia da tarde. Percebi no olhar de minha filhota o  pânico se agigantando…eu, mantendo meu espírito aventureiro, mesmo com as mãos congeladas, resolvi preencher esse gap de tempo deglutindo nosso delicioso sanduíche e, procurando um lugar quentinho para tomarmos um café. Foi então que descobrimos que do meio dia às duas da tarde, a cidade, as lojas, os bares, as igrejas, o comércio em geral simplesmente fecha as portas, daí a impressão assustadora ( e completamente errônea ) de cidade fantasma.
Conseguimos encontrar um pequeno café, bem típico, com as paredes em madeira, onde havia vida inteligente, pessoas falando e um casal de meia idade sorridente, preparava sanduíches e cafés. Como já tínhamos comido o nosso, pedimos um capuccino, que seria bebido lentamente…até a abertura da catedral. Nesse breve aconchego, decidimos que veríamos os monumentos e bateríamos em retirada de volta a Paris, mesmo que tivéssemos que comprar outras passagens.

As duas e vinte e cinco, voltamos à Abbatiale. Na porta lateral, só dois homens, também esperavam pela abertura do enorme portão. Duas e meia em ponto, uma jovem entreabriu a porta e nos deixou entrar. O frio de rachar, não diminuiu dentro, mas a visão aquece qualquer um, que como eu, é apaixonada pelo estilo gótico e pela Idade Média.

Ao contrário da maioria das catedrais, esta abbatiale, tem pouquíssimo bancos, o que nos faz sentir que somos ainda menores, dentro uma construção de 134 metros de altura. Foi um momento mágico, desses de tirar o fôlego.

Só que eu, até entrar , estava completamente confundida, achando que aquela era a Catedral de Notre Dame de Rouen, famosa entre outras razões, por ter sido pintada por Claude Monet em diversas horas do dia…O quadro de Monet, Impressions , soleil lévant, deu origem ao termo impressionismo. Mas a Abbatiale me impressionou de tal maneira, que mesmo sob cuva de canivete, eu queria ver de perto a Catedral e le Gros Horloge.  Conseguimos na recepeção, um mapa de Rouen. Negociei com Carol de irmos aos dois principais pontos e seguiríamos para a estação.Procurando a rua do Grande Relógio, nos deparamos com uma cidade viva, carros pelas ruas e um centro de comércio bem agitado. com todas as lojas respeitando a fachada histórica. E no meio desse centro, de uma ruinha torta, nos deparamos com a Catedral de Notre Dame de Rouen.

Imagine estar diante dela. Começou a ser construída no século XII. conforme os séculos passaram, o estilo gótico foi também se modificando até chegar ao Gothique flamboyant, do qual esta fachada é um exemplo.

Nosso passeio, que começou quase em desespero, foi uma surpresa atrás da outra. Um dia desses de êxtase visuais. Voltamos para Paris, no trem cujas passagens já estavam compradas, literalmente exaustas, depois de 7 horas andando e nos maravilhando.




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