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01
fev
09

ROUEN II


Saímos do café… A chuva a esta altura, transformou-se em pequenos canivetes, que nos atingiam por baixo do guarda chuva.
Eu e Carol desenvolvemos uma linguagem afro européia e sempre proferíamos palavras nesse idioma, quando o frio apertava. Nesse dia, dissemos textos complexos! O frio era de rachar o bico… Mas mesmo assim, decidi conhecer o interior do que eu achava ser a Cathédrale de Notredame de Rouen.
As duas e meia em ponto, uma moça abriu a enorme porta e sorrindo nos disse para entrar. Um momento completamente mágico. O interior é indescritível, e como estávamos sozinhas, nos sentimos mais minúsculas ainda, diante daquele monumento. Como sempre, agradeci, embevecida com todos os detalhes das colunas e dos vitrais. Descobri então que não se tratava da Catedral e sim da Abattiale Saint-Ouen.
Na saída, ainda tremendo de frio, pegamos o mapa de Rouen, o que fez revelar uma cidade que por pouco deixamos de conhecer por causa de um “friozinho de nada e de uma chuvinha boba”! Decidimos então, procurar a Rua do Gros Horloge e, num passe de mágica, a chuva foi diminuindo, o vento passou e tudo se transformou numa tarde maravilhosa. Enquanto procurávamos o tal relógio… ( como se fosse normal) descobrimos uma cidade agitada, um comércio bombando, carros passando, numa mistura de idade média com progresso, lojas, grifes, todas preservando o prédio em que estão instaladas, conferindo um charme a mais. Tudo em liquidação massiva, não resistimos e misturamos num piscar de olhos, nosso passeio cultural, à mais pura e selvagem caça capitalista. Ninguém resiste a um casaco  lindo a…. 12 euros!!! Camisetas e bijuterias? 1 Euro. Uma pechincha! Retomamos nosso contato com a cultura e, encontramos enfim, la Rue du Gros Horloge! Uma senhorinha nos indicou o caminho certo. Voltando, demos de cara com a catedral . Outro momento indescritível… A catedral de Notredame de Rouen. Esta foi a Catedral pintada por Monet, mostrando que a cada hora do dia, podíamos ter um “impressão diferente” do mesmo objeto. IMPRESSIONISMO…Há muito tempo vejo esses quadros em fotos e pude vê-los  tête à tête no Musée d´Orsay em Paris. Mas vê-la assim, na minha frente, quase como um acaso, foi um presente dessa viagem, que quase escapou mas que felizmente está gravado na minha retina.
Tivemos mais um dia maravilhoso. Voltamos à pé para a estação e esperamos nosso trem. Voltamos para Paris, no trem cuja passagem já estava comprada. Pra variar, a hora do trem, era 19:11…às 19:10 ouvimos o trem chegando.

Nota: De Paris a Rouen é um pouquinho mais de uma hora de trem.

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27
jan
09

ROUEN, uma visão

Abatiale de Saint-Ouen Rouen França

Faltam poucos dias para voltarmos ao Brasil. Devo confessar que vai ser difícil me despedir de Londres e de tudo que vivemos aqui. Reunir nossa pequena família, foi um sonho. Abraços coletivos, muitas gargalhadas, muita união.
Londres será um capítulo enorme neste blog, quando voltar ao Brasil. Assim, poderei amenizar as saudades que vou sentir.

Mas antes, preciso falar de Rouen. Capital da Normandia, ao norte da França, fica a uma hora de trem de Paris, partindo da Gare Montparnasse. Nosso passeio foi de um dia. Saímos de casa, no 18éme, Paris, metrô para a Gare Montparnasse e de lá pega-se um trem. Em uma hora você está em Rouen. Simples assim.

Uma cidade que também preservou seu passado sem parar no tempo.

Nossa chegada foi um tanto traumatizante. Chegamos por volta do meio dia e, chovia torrencialmente. Uma chuva dessas de lado, acompanhada de um frio absurdo e de um vento que transformava as gotas de chuva em giletes. Saindo da estação de trem, pode-se ver a torre gótica da Abbatiale e fomos nos guiando por ela, para chegar ao centro histórico. Entramos numa rua estreita e logo de cara pensei: cidade fantasma! Não havia mais de duas pessoas na rua, em pleno dia de semana. Carol olhou para mim meio em pânico, pois tínhamos comprado a passagem de volta para as sete da noite, o que nos deixaria debaixo de chuva e frio ( e tédio ) por sete horas. No caminho para a enorme Abbatiale, vimos umas três Pompes Funèbres ( casa funerária )! em silêncio, imaginei…morre-se muito em Rouen!!! (De tédio, talvez). Continuamos nossa caminhada e ao contornarmos a construção colossal, descobrimos que só poderíamos visitar seu interior, às duas e meia da tarde. Percebi no olhar de minha filhota o  pânico se agigantando…eu, mantendo meu espírito aventureiro, mesmo com as mãos congeladas, resolvi preencher esse gap de tempo deglutindo nosso delicioso sanduíche e, procurando um lugar quentinho para tomarmos um café. Foi então que descobrimos que do meio dia às duas da tarde, a cidade, as lojas, os bares, as igrejas, o comércio em geral simplesmente fecha as portas, daí a impressão assustadora ( e completamente errônea ) de cidade fantasma.
Conseguimos encontrar um pequeno café, bem típico, com as paredes em madeira, onde havia vida inteligente, pessoas falando e um casal de meia idade sorridente, preparava sanduíches e cafés. Como já tínhamos comido o nosso, pedimos um capuccino, que seria bebido lentamente…até a abertura da catedral. Nesse breve aconchego, decidimos que veríamos os monumentos e bateríamos em retirada de volta a Paris, mesmo que tivéssemos que comprar outras passagens.

As duas e vinte e cinco, voltamos à Abbatiale. Na porta lateral, só dois homens, também esperavam pela abertura do enorme portão. Duas e meia em ponto, uma jovem entreabriu a porta e nos deixou entrar. O frio de rachar, não diminuiu dentro, mas a visão aquece qualquer um, que como eu, é apaixonada pelo estilo gótico e pela Idade Média.

Ao contrário da maioria das catedrais, esta abbatiale, tem pouquíssimo bancos, o que nos faz sentir que somos ainda menores, dentro uma construção de 134 metros de altura. Foi um momento mágico, desses de tirar o fôlego.

Só que eu, até entrar , estava completamente confundida, achando que aquela era a Catedral de Notre Dame de Rouen, famosa entre outras razões, por ter sido pintada por Claude Monet em diversas horas do dia…O quadro de Monet, Impressions , soleil lévant, deu origem ao termo impressionismo. Mas a Abbatiale me impressionou de tal maneira, que mesmo sob cuva de canivete, eu queria ver de perto a Catedral e le Gros Horloge.  Conseguimos na recepeção, um mapa de Rouen. Negociei com Carol de irmos aos dois principais pontos e seguiríamos para a estação.Procurando a rua do Grande Relógio, nos deparamos com uma cidade viva, carros pelas ruas e um centro de comércio bem agitado. com todas as lojas respeitando a fachada histórica. E no meio desse centro, de uma ruinha torta, nos deparamos com a Catedral de Notre Dame de Rouen.

Imagine estar diante dela. Começou a ser construída no século XII. conforme os séculos passaram, o estilo gótico foi também se modificando até chegar ao Gothique flamboyant, do qual esta fachada é um exemplo.

Nosso passeio, que começou quase em desespero, foi uma surpresa atrás da outra. Um dia desses de êxtase visuais. Voltamos para Paris, no trem cujas passagens já estavam compradas, literalmente exaustas, depois de 7 horas andando e nos maravilhando.




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